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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

O pelourinho de Paranaguá

Resquícios do passado colonial, os pelourinhos eram erigidos a cada vez que um povoado era elevado à categoria de Vila.

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Resquícios do passado colonial, os pelourinhos eram erigidos a cada vez que um povoado era elevado à categoria de Vila. Na América Portuguesa, a elevação ao estatuto de vila significava o acesso a uma outra categoria institucional e à autonomia política e administrativa. O pelourinho de Paranaguá foi erigido no ano de 1646, de frente para o Rio Itiberê. Em 1648, Paranaguá foi elevada à condição de vila. Por aqui o pelourinho permaneceu por muito tempo em seu lugar original, localizado próximo ao antigo Mercado Municipal da cidade. Atualmente, o pelourinho está localizado na praça cívica do IHGP. Contudo, o traslado dele para o pátio do Instituto Histórico envolve uma longa e interessante história. Quem sempre nos conta esse acontecimento é o Dr. José Maria de Freitas.

Entre 1857 e 1858, o pelourinho foi demolido e a sua coluna ficou por vários anos esquecida no Rio Itiberê. Já a sua base foi usada para diversos fins, serviu de suporte ao cruzeiro das almas, no antigo cemitério da cidade, que ficava ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Anos depois, foi utilizada como suporte para uma cruz de ferro em comemoração à passagem do século XIX ao XX. Na década de 1960, a base foi removida para o pátio interno da Igreja Matriz. Quanto a coluna, está só veio a ser redescoberta no fim da década de 1950, quando empregados da Prefeitura a encontraram enterrada na lama do rio Itiberê. Diante disso, o prefeito da época, João Cominese, enviou a coluna ao Museu de Arqueologia e Artes Populares de Paranaguá uma vez que, na ocasião, o Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá ainda não tinha a sua sede. Apenas em 1963, o IHGP instalou-se no prédio atual e conseguiu incorporar no seu acervo histórico a base do Pelourinho. Em 1977, a pesquisa do Dr. Annibal Ribeiro Filho, na época diretor do IHGP, identificou que a coluna que estava no Museu ao lado pertencia a mesma base que já estava no IHGP. Desde então, o pelourinho compõe a praça cívica. Atualmente, toda esta história que envolve o pelourinho da cidade, inclusive o seu uso para castigos físicos, sua demolição, redescoberta e traslado ao pátio da instituição é contada aos alunos e professores que visitam o IHGP.  Uma história demasiada interessante, aliás, como tantas outras que envolvem a cidade de Paranaguá.

Referência: MELLO, José de. Frutos Derradeiros. Paranaguá, 2008

Priscila Onório Figueira

Diretora de Artes Plásticas- biênio 2019-2020