Na quarta-feira, 6, o pré-candidato ao Senado, ex-senador da República e ex-governador do Paraná, Alvaro Dias (MDB), esteve na sede da Folha do Litoral News. Na ocasião, ele avaliou a atual conjuntura política do Estado, os investimentos e o desenvolvimento no litoral nos últimos anos, o período de pré-campanha eleitoral ao Senado Federal, bem como a importância do Porto de Paranaguá para o desenvolvimento do Paraná e do Brasil, além do cenário político nacional em torno das eleições de 2026. Junto aos vereadores de Paranaguá, Eduardo Oliveira e Welington Frandji, Dias foi recebido pelo diretor empresarial da FL News, Antonio Saad Gebran Sobrinho.
Para ele, estar no litoral do Paraná é uma obrigação de todos que atuam na vida pública do Estado. “Obviamente, sabemos da importância econômica da região para o Estado. A atividade turística é essencial e, especialmente em Paranaguá, o Porto é fundamental para o desenvolvimento do Paraná. Portanto, a contribuição do litoral paranaense, principalmente de Paranaguá, para o crescimento do nosso estado sempre foi fundamental. Por isso, é ainda maior a responsabilidade daqueles que representam o litoral e o Paraná na esfera nacional”, pontuou Alvaro Dias.
O pré-candidato ao Senado também falou sobre a recente inauguração da Ponte de Guaratuba, obra emblemática e histórica para o litoral do Paraná. “A Ponte de Guaratuba é uma história viva e é um sonho realizado. Obviamente é uma obra importante para o desenvolvimento do Paraná e sobretudo do litoral”, frisou, destacando que quando foi governador houve a inclusão da obrigatoriedade da ponte na Constituição Estadual de 1989, bem como o primeiro projeto para viabilização da estrutura.
📲 Clique aqui para seguir o canal da Folha do Litoral News no WhatsApp.
Cenário da política brasileira
Alvaro Dias também avaliou o atual cenário da política brasileira, algo que classificou como complicado e mergulhado em um “mar de mediocridade”. “É um momento muito complicado da política brasileira, em que a política mergulhou em um mar de mediocridade. Eu confesso que é mais confortável ficar longe da política, no entanto, existe uma palavra chamada responsabilidade e, sobretudo, outra palavra que se chama respeito, respeito à população”, afirmou.
“Acredito que quem pode contribuir não pode se negar a oferecer a sua contribuição para tentar melhorar a vida das pessoas deste país, sobretudo no Legislativo. O Legislativo se desviou de sua função. O Congresso Nacional hoje mais se parece com uma ‘morada’ de caixeiros-viajantes do que com um poder Legislativo. No entanto, a essência do poder é legislar”, avaliou Alvaro.
Questionado sobre uma possível candidatura ao Governo do Paraná, Alvaro afirmou que, neste momento, não trabalha com essa possibilidade, mas, caso convocado, não recusaria. “Não há essa cogitação da minha parte. Mas, se eu fosse convocado, não teria como recusar. No entanto, há aqueles que gostariam que não. Essa história de dizer: ‘ah, já está há muito tempo nisso, está na hora de parar’, isso é vantagem, não desvantagem. Eu até agradeço aos meus adversários que usam esse argumento, porque estar há tanto tempo na vida pública, com as mãos limpas e com a experiência adquirida, só pode ser uma vantagem”, salienta.
Ratinho Junior, sucessor e grupo político
Dias também comentou sobre o cenário ideal para a escolha do candidato que representará o grupo político do governador Ratinho Junior nas eleições de 2026. “O MDB integra o governo Ratinho Junior. O partido participou do governo nesses últimos oito anos e foi parceiro do governador, portanto, faz parte desse grupo político. O Alexandre Curi saiu e foi para o Republicanos, o Rafael Greca veio para o MDB, o Guto Silva acabou sendo descartado e o governador escolheu o Sandro Alex. Isso criou um tumulto na base aliada do governador”, afirma.

“A minha sugestão há poucos dias ao governador foi zerar tudo, colocar todos em campo para buscar apoio popular e, depois, por volta de junho, realizar uma pesquisa. Aquele que estiver melhor colocado seria o candidato, enquanto os demais teriam que apoiar. Nesse caso, se o governador quisesse incluir também o meu nome, não haveria nenhuma objeção da minha parte. Então, é preciso construir essa unidade para vencer a eleição, porque a disputa é fácil e se não houver essa construção de unidade, a dificuldade será ainda maior”, ressaltou o pré-candidato.
STF e o Congresso Nacional
Alvaro Dias também falou sobre a independência entre os Poderes e o foro privilegiado das autoridades, temas que, segundo ele, deverão estar no centro de sua campanha ao Senado. “Esse deverá ser o tema central da campanha para o Senado, porque há uma insatisfação enorme em relação ao comportamento do Congresso Nacional e também do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente. Quando eu falava em refundação da República em 2018, na campanha presidencial, eu falava em grandes reformas, reforma política, mas uma reforma fundamental é esta que restabeleça a interdependência dos Poderes, que hoje não existe, embora a Constituição estabeleça o dispositivo da interdependência”, salientou.
Segundo Alvaro Dias, atualmente há uma invasão de competência do STF sobre o Congresso Nacional, algo que, segundo ele, tem se tornado cada vez mais evidente. “Então, o que se deve fazer? São algumas medidas fundamentais para restabelecer, inclusive, o respeito da sociedade ao STF. Nós temos que mudar o modelo de escolha dos ministros do Supremo, ao invés do apadrinhamento político, da indicação pelo Presidente da República, meritocracia”, afirmou.
“Isso faríamos da seguinte forma: a magistratura indicaria um nome, certamente buscando o mais competente; o Ministério Público (MP) indicaria outro; a advocacia, mais um nome. Então, o presidente da República escolheria um entre essa lista tríplice e o encaminharia ao Senado, que faria a sabatina antes da nomeação. Assim, ele chegaria ao Supremo sem dever nada a ninguém, a não ser à sua própria competência e preparo”, ressaltou Dias.
O pré-candidato também afirmou que um dos assuntos de sua campanha também deverá ser a fixação da duração do mandato dos ministros do STF. “Oito, dez, doze anos. Nós podemos discutir o tempo, mas é necessário fixar o mandato”, disse.
Foro privilegiado das autoridades
Além disso, outro ponto destacado por ele, é com relação ao foro privilegiado das autoridades. “Esse é o meu projeto icônico, que acaba com o Foro Privilegiado das autoridades, que eu consegui aprovar no Senado, depois de quatro anos de ‘briga’, e está parado na Câmara há oito anos, basta o Presidente da Câmara colocar em votação, porque já passou pela Comissão de Justiça (CCJ) e pela Comissão Especial. Então agora basta uma votação do plenário, aí acabaríamos com o foro privilegiado das autoridades. São mais de 55 mil autoridades beneficiadas, e fica essa suspeita de conluio entre os poderes, porque só o Senado pode condenar ministros do Supremo e decretar impeachment, e só o Supremo pode condenar autoridades do país. Portanto, o fim do foro privilegiado acabaria com esse conluio, e aí nós teremos mais chances de decretação eventual de um impeachment”, afirma o pré-candidato.
Impeachment
Encerrando seu mandato como senador há quase quatro anos, Alvaro Dias lembrou que projetos de sua autoria ainda seguem em tramitação no Congresso Nacional, um deles refere-se ao impeachment de ministros dos tribunais superiores. “A propósito do impeachment, deixei um projeto no Senado ainda em 2015. Estou fora do Senado há quase quatro anos, mas projetos meus continuam tramitando por lá. Um deles trata justamente do impeachment, modificando e modernizando a legislação sobre o tema, para facilitar também a decretação de impeachment de ministros dos tribunais superiores. Então, acredito que, se adotássemos essas providências, estaríamos caminhando para uma maior independência entre os Poderes”, concluiu.





