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Coronavírus

Testes sorológicos não servem para comprovar eficácia da vacina contra a Covid-19

Anvisa, Butantan e entidades médicas reforçam importância das vacinas

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Na última semana, o Instituto Butantan, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras entidades médicas internacionais e nacionais, afirmaram que testes sorológicos, também conhecidos como testes de anticorpos, não servem para avaliar a proteção contra a Covid-19 e eficácia das vacinas. O esclarecimento foi feito após muitas pessoas no Brasil, que foram imunizadas contra a Covid-19, terem feito este tipo de teste para supostamente atestar imunidade contra o vírus, algo que não serve para comprovar a proteção do imunizante.

“Entidades médicas e órgãos de saúde nacionais e internacionais, no entanto, alertam que testes sorológicos não devem ser utilizados para determinar se um indivíduo vacinado está ou não protegido contra a Covid-19”, informa o Butantan.

Segundo a Anvisa, em alerta feito no mês passado, os exames de anticorpos não possuem finalidade para atestar imunidade contra o Coronavírus. “Não existe, até o momento, a definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes – que evitam a entrada e a replicação do vírus nas células – para conferir proteção imunológica contra a infecção, reinfecção, formas graves da doença e novas variantes de Sars-CoV-2 em circulação. Por isso, os testes para diagnóstico não podem ser utilizados para determinar a proteção vacinal”, explica.

A entidade internacional Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório dos Estados Unidos igual à Anvisa, também emitiu  comunicado sobre o tema em maio de 2021. “O FDA alertou que, embora o exame sorológico possa ser utilizado para identificar pessoas que possivelmente foram expostas à Covid-19 anteriormente, são necessários mais estudos para avaliar os resultados em indivíduos vacinados”, afirma o Butantan.

De acordo com a  Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), os testes não são recomendados para esse fim, pelo fato de não permitir uma conclusão sobre resposta ao imunizante, reforçando o entendimento de outras entidades científicas. “Sorologias negativas não indicam falta de proteção, pois alguns indivíduos podem não apresentar soroconversão, embora apresentem algum grau de imunidade celular”, afirma a SBIm.

Segundo o Butantan, saber que cada organismo responde de forma é importante, sendo que os testes não são capazes de avaliar todos os mecanismos de defesas de cada indivíduo proporcionado pela vacina. “Além dos anticorpos, existem os linfócitos T (que coordenam a defesa imunológica e atuam na destruição de células infectadas) e as células de memória, que podem produzir mais anticorpos caso haja contato do organismo com o vírus. Outro ponto é que ainda não se sabe quais níveis de anticorpos seriam necessários para proteger contra a infecção causada pelo SARS-CoV-2. Os exames sorológicos foram desenvolvidos para diagnosticar pessoas contaminadas pelo vírus, não para atestar proteção depois de receber a vacina”, informa o instituto.

CoronaVac

O Butantan afirma que a CoronaVac, vacina que está sendo desenvolvida pela entidade junto à  biofarmacêutica chinesa Sinovac, já demonstrou sua eficácia em ensaios clínicos de fase 3 e também comprovou sua efetividade no mundo real. “Um artigo científico encaminhado por cientistas do Butantan em abril para a revista científica The Lancet mostrou que a eficácia global da CoronaVac pode chegar a 62,3% se o espaço entre as duas doses for de 21 dias ou mais”, informa.

“No Projeto S, estudo realizado pelo Instituto Butantan na cidade de Serrana, ao atingir-se uma cobertura vacinal de aproximadamente 75% da população adulta do município com a CoronaVac, foi possível controlar a epidemia no local. Além de evitar a grande maioria das internações e óbitos por Covid-19, a vacinação conseguiu diminuir a transmissão do vírus – beneficiando, inclusive, quem não havia se imunizado. A aplicação da vacina fez os casos sintomáticos de Covid-19 caírem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95%”, finaliza o Butantan.


Com informações do Instituto Butantan

Foto: AEN