Há palavras que parecem iguais, mas carregam mundos distintos. Teimosia, determinação e persistência são primas próximas, mas nem sempre amigas. A teimosia é filha do orgulho: fecha os ouvidos para conselhos, repele evidências, insiste apenas para não ceder. A determinação é mais lúcida: sabe para onde vai, mas não teme redesenhar o mapa se o caminho se mostrar inviável. A persistência é a irmã paciente, que repete o gesto, dia após dia, porque entende que algumas conquistas exigem tempo e suor.
O limite da teimosia é o precipício da obstinação cega. O da determinação é a consciência de que metas também envelhecem. E o da persistência é reconhecer que bater eternamente à porta errada não a transforma em entrada certa.
No outro extremo, temos a desistência e a renúncia. Desistir, muitas vezes, é recuar sem reflexão, rendendo-se ao peso do desânimo. Renunciar, ao contrário, é ato maduro: um fechar de portas para abrir janelas, um abandono que não nasce da fraqueza, mas da clareza.
E entre esses polos, como um fio de seda que sustenta a alma, está a resiliência. A arte de resistir sem se enrijecer, de curvar-se sem quebrar. Ela nos permite seguir quando vale a pena e parar quando é hora, sem que o orgulho ou o medo tomem o leme.
Vivemos tempos que celebram a obstinação como medalha. Mas nem toda vitória vem da insistência, assim como nem toda retirada é derrota. O que define nossa maturidade não é apenas quantas batalhas vencemos, mas a sabedoria de escolher quais batalhas merecem ser travadas, e quais é mais digno deixar passar.
Grande Oriente do Paraná
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