Sob a Ótica Maçônica

Cérebro: Use Apenas em Caso de Emergência

Afinal, pensar dá trabalho e pode causar dor muscular na consciência

grande oriente parana

Por Fonseca.R

Há algo de admirável na nossa capacidade de adaptação. Se nos disserem que a chuva cai para cima, por via das dúvidas, abrimos o guarda-chuva do mesmo jeito. Afinal, pensar dá trabalho e pode causar dor muscular na consciência.

De repente, e sempre é “de repente”, como se não houvesse sinais, a criatura assumiu o comando. Tomou a cadeira do criador, cruzou as pernas e ainda pediu um cafezinho. E o criador? Sentou-se no chão, obediente, satisfeito com a promoção a subordinado predileto de sua própria invenção.

Mérito da criatura? Não exageremos. A criatura apenas fez o que qualquer criatura faria ao perceber o dono distraído: puxou-lhe o tapete e se apossou da sala. O feito não é dela. É nosso. Por preguiça, negligência ou comodidade, desistimos de exercer a única faculdade que nos distingue do restante do zoológico: pensar. O animal irracional reage por instinto; o homo sapiens, orgulhoso do latim, terceiriza o raciocínio.

Abdicamos de pensar e, como consequência lógica, abdicamos de comandar. Quem não pensa é pensado. Quem não decide é decidido. Tornamo-nos passageiros no próprio volante, aplaudindo o GPS que recalcula a rota rumo ao abismo com voz suave e feminina.

À semelhança do rebanho, sempre tão citado e raramente ofendido, marchamos disciplinados para o abate, embalados por trilha sonora conveniente. Aceitamos, sem mastigar, os modelos e padrões que nos empurram goela abaixo: governo que decide por nós o que é melhor para nós; moda que determina o tamanho do nosso bom senso; beleza que padroniza o espelho; religião que substitui consciência por manual de instruções; ideologia que transforma dúvida em heresia; família e política convertidas em slogans; liberdade servida em porções individuais e com prazo de validade.

Perdemos a autonomia e chamamos isso de praticidade. Perdemos o direito de escolha e celebramos a abundância de opções idênticas. Tornamo-nos marionetes com certificado de autenticidade. Fios invisíveis, é verdade, mas eficientes. Quando não mais úteis, substituídos. Quando inconvenientes, descartados. E tudo isso com a elegância de quem agradece pelo embrulho.

O mais assustador não é o caos. Caos sempre houve. O assustador é a nossa serenidade bovina diante dele. Aceitamos tudo com a placidez de quem acredita que o matadouro é spa. Calmos, alegres, submissos, marchamos convencidos de que a faca é apenas uma metáfora.

Talvez ainda haja tempo de um gesto impopular: pensar. Esse ato subversivo que exige esforço e pode causar constrangimento social. Pensar para retomar o comando. Pensar para devolver a criatura ao seu devido lugar: o de instrumento, não o de senhor.

Caso contrário, continuaremos aplaudindo a própria domesticação, e chamando isso de progresso.

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Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


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