Sob a Ótica Maçônica

Chega de Sonhar: Faça Alguma Coisa

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Há quem trate o sonho como uma espécie de recreio da alma. Intervalo lúdico entre duas fadigas. Dorme-se, sonha-se, acorda-se, e a vida segue sua marcha burocrática, como se o devaneio fosse apenas ornamento. Engano. O sonho não é enfeite: é motor. Não custa nada, como lembra a velha canção do samba-enredo da Acadêmicos do Salgueiro: “sonhar não custa nada, se meu sonho é tão real”, mas realizá-lo cobra caro. Exige suor, disciplina e, sobretudo, compromisso com a ação.

Não deixe, nunca, de sonhar. O sonho é o combustível. Mas combustível, sozinho, não move o carro, é preciso girar a chave. Entre o desejo e a conquista há um território pedregoso, onde moram as dificuldades, os atrasos, as negativas e, não raro, a inveja alheia. Sim, você encontrará barreiras. Sim, ouvirá o riso irônico dos que não conseguem, ou desaprenderam de sonhar. Mas é precisamente aí que o sonho deixa de ser fantasia e começa a se tornar projeto.

Os grandes inventos da humanidade nasceram assim: primeiro como lampejo, depois como obstinação. Antes de serem pontes, foram risco no papel; antes de serem asas de metal, foram vertigem na mente. A transição do imaginário para o concreto não é mágica, como gostam os preguiçosos da responsabilidade. É tradução. O pensador traduz a imagem difusa em plano; o artesão traduz o plano em gesto; o gesto, repetido com método, converte-se em realidade.

Converter um sonho em realidade requer convicção. Essa fé laica que nos impede de abandonar a obra no primeiro tropeço. Requer vontade, que é a musculatura da alma. E, principalmente, audácia. A coragem de começar quando ninguém aplaude; de persistir quando todos duvidam; de continuar quando o cansaço sussurra desistência.

Johann Wolfgang von Goethe já advertia que, quando alguém desperta para um grande sonho e lança sobre ele toda a força da própria alma, o universo conspira a seu favor. Pode soar místico aos céticos, mas há nisso uma verdade prática: a audácia cria movimento, e o movimento cria circunstâncias. “Seja lá o que você puder fazer ou sonhar que pode, comece”, escreveu ele. Comece, eis o verbo decisivo.

Sonhar é gratuito. Realizar é custoso. Mas é esse custo que confere dignidade ao sonho. O que era abstrato ganha corpo; o que era intuição vira obra; o que era esperança transforma-se em história. No fim das contas, não são os sonhos que nos traem. Somos nós que, por medo, os abandonamos.

Sonhe. E depois levante-se. Porque a realidade, essa senhora exigente, só se rende àqueles que ousam bater à sua porta com as mãos sujas de trabalho e os olhos acesos de futuro.

___________________________

Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão-Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


Fique bem informado!
Siga a Folha do Litoral News no Google Notícias.

Você também poderá gostar