Sob a Ótica Maçônica

A difícil arte de não julgar

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Julgar é um ato quase automático. Observamos o outro, identificamos falhas e, num impulso, emitimos sentença. Fazemos isso sem perceber, sem refletir, sem medir as consequências. Porém, ao julgar o próximo, revelamos menos sobre ele e mais sobre nós mesmos.

A vida em sociedade é um espelho. Aquilo que criticamos com veemência muitas vezes habita, silencioso, dentro de nós. Apontamos o erro alheio para aliviar a culpa, para sustentar a ilusão de superioridade. É uma defesa psíquica: projetamos no outro nossas sombras. E, paradoxalmente, quanto mais severos somos com os defeitos externos, mais rígidos seremos com os próprios.

Por que julgamos tanto? Porque é fácil. É mais simples condenar do que compreender. É mais confortável responsabilizar alguém do que encarar nossas próprias imperfeições. Julgar traz um alívio momentâneo, uma sensação enganosa de estar certo. Mas não resolve nada.

Cada ser humano carrega histórias, traumas, contextos invisíveis. Vemos apenas fragmentos, aparências, o que está na superfície. Como lembrou Maquiavel: “Todos veem o que pareces, poucos percebem o que és ”  Não conhecemos o todo, mas mesmo assim nos apressamos em opinar.

No fundo, o julgamento nasce da comparação. Queremos que o outro siga nossas regras, nossas expectativas. Quando ele age fora desse padrão, nos incomodamos. Agimos como crianças mimadas, exigindo um mundo que não existe. É ilusão.

Há quem critique para se sentir útil. Há quem julgue para não enfrentar a própria dor. Há quem espalhe boatos sem sequer confirmar se são verdade. E assim perpetuamos ciclos de incompreensão. Madre Teresa de Calcutá alertou: “Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.”

Praticar o não-julgamento é exercício de humildade. Significa admitir que não sabemos tudo, que não enxergamos tudo, que a vida do outro é muito mais complexa do que podemos imaginar. É escolher olhar com empatia, não com condenação.

Quer experimentar? Olhe alguém nos olhos. Não veja apenas a aparência, mas procure perceber o que existe além da superfície. Histórias, dores, esperanças. Ao fazer isso, você entende que julgar é inútil. O outro é tão humano quanto você.

Não julgar não significa ser conivente. Significa oferecer ajuda em vez de crítica. Propor soluções em vez de sentenças. Reconhecer que todos estão em processo, ninguém nasce pronto, ninguém caminha sem tropeços.

Quando você julga menos, vive mais leve. As relações melhoram. O ambiente de trabalho se torna mais saudável. A família se torna mais acolhedora. A sociedade se torna mais justa. O julgamento fecha portas; a compreensão as abre.

Somos mais do que rótulos. Somos histórias inacabadas, seres em aprendizado constante. E se cada um cuidasse mais de si e menos das falhas do próximo, viveríamos num mundo mais pacífico.

Antes de criticar, respire. Antes de apontar o dedo, reflita. O que você vê no outro não é, muitas vezes, o reflexo do que ainda não aceitou em si?

A vida é uma caminhada. Julgue menos. Ame mais!

Sereníssimo Grão-Mestre Vladimir Pires Martins

Grande Secretaria de Comunicação e Imprensa

Luís Fernando da Silva Dias

Acompanhe nossas mídias:

Site do GOP: https://gop.org.br/

Instagram:@grandeorientedoparana


Fique bem informado!
Siga a Folha do Litoral News no Google Notícias.

Você também poderá gostar