Você já deve ter ouvido aquela máxima de que “a verdade não teme a luz”. Pois eu
discordo. A verdade pode até não temer a luz, mas tem pavor de relógio desregulado.
Porque uma verdade dita na hora errada vira mentira social, e uma verdade dita do
jeito errado vira bomba atômica doméstica.
Não é novidade que as palavras têm poder. O problema é que a maioria das pessoas
usa esse poder como criança brinca com fósforo: sem a menor noção do estrago que
pode fazer. Quantos relacionamentos já foram para o espaço, não pelo que foi dito,
mas por como e quando foi dito? É como servir caviar no café da manhã ou falar de
dieta no aniversário da sogra – tecnicamente correto, cronologicamente desastroso.
A comunicação humana é uma dança complicada. Imagine um tango onde um dos
parceiros resolve fazer rock’n’roll. Dá no que dá: pisão no pé, ego machucado e plateia
constrangida. Porque não basta ter razão; é preciso ter timing. Não basta falar a
verdade; é preciso embalá-la no papel de presente adequado.
Veja o caso clássico: o marido que resolve ser sincero sobre o novo corte de cabelo
da esposa bem na hora em que ela está se arrumando para sair. Ou a esposa que
escolhe o intervalo do jogo do Brasil para falar sobre problemas conjugais. Ambos
estão exercendo seu sagrado direito à honestidade, mas estão também comprando
briga por atacado.
O segredo não está em mentir – mentir é covardia. O segredo está em entender que
toda verdade tem sua hora de nascer e sua forma de se apresentar ao mundo. É como
plantar: você não joga a semente em qualquer lugar, de qualquer jeito, em qualquer
época do ano, e depois fica esperando milagre.
As palavras são como medicamentos: a dose certa, na hora certa, cura. A dose
errada, na hora errada, mata. E olha que curioso: às vezes a mesma frase dita de
manhã é remédio, e dita de noite é veneno. É a diferença entre “precisamos
conversar” dito num domingo à tarde ou às duas da manhã de uma segunda-feira.
Tem gente que confunde sinceridade com brutalidade, como se fosse obrigatório usar
um martelo para cravar um prego de sapateiro. Essas pessoas vivem dizendo: “Eu sou
assim mesmo, falo o que penso.” Parabéns, mas ser assim mesmo não é virtude – é
preguiça emocional.
A verdadeira arte da comunicação está em perceber que o outro também tem
sentimentos, inseguranças e um cronômetro interno que nem sempre bate com o
nosso. É saber que existem momentos para construir e momentos para demolir, horas
para semear e horas para colher.
No final das contas, comunicar bem é um ato de amor e inteligência. É entender que
as palavras podem ser pontes ou muros, dependendo de como as usamos. E que um
bom comunicador não é aquele que sempre fala a verdade, mas aquele que encontra
a hora certa de deixá-la florescer.
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Grande Oriente do Paraná
Sereníssimo Grão-Mestre Vladimir Pires Martins
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