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Páscoa

O significado da Páscoa em diferentes tradições

Muçulmanos, ortodoxos, japoneses, eslavos e judeus falam sobre seus costumes na Semana Santa

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A Páscoa significa a ressurreição de Jesus para os católicos romanos. É uma festividade religiosa e feriado que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida três dias depois da sua crucificação e morte no Calvário, conforme o relato do Novo Testamento. Mas nem todos os povos celebram de forma igual a data.

 

Muçulmanos seguem o calendário lunar

Dona Latife fala sobre a tradição muçulmana

Os muçulmanos não comemoram a Páscoa da mesma forma que os cristãos católicos. Quem explica sobre a tradição islâmica é dona Latife Ali Moghrabi, de 71 anos, natural do Líbano e residente em Paranaguá desde os 8 anos de idade.

Ela conta que os muçulmanos seguem o calendário lunar e têm como mestre mensageiro Maomé. “Nós rezamos para Deus, que é Alá. Tem muitas pessoas que acham que não acreditamos em Jesus. Nós cremos, só que de uma forma diferente, pois dentro do Corão, nosso livro sagrado, existe uma oração que fala da Virgem Maria e seu filho. Não usamos imagens, mas fazemos orações”, conta.

As orações são realizadas com o corpo purificado, ou seja, sempre após o banho. Dona Latife contou que o que se assemelha à Páscoa para os muçulmanos seria o o jejum do Ramadã. Acredita-se que no mês do Ramadã o Alcorão sagrado foi enviado do céu como uma orientação aos homens e como um meio de sua salvação.

 

Páscoa dos Ortodoxos: O fim do grande jejum

Maria é ortodoxa e conta que celebra a ‘Paskah’ com um pão de frutas secas, que é levado à missa de Páscoa para bênção

Maria Plahtyn é natural de Curitiba, mas reside atualmente em Paranaguá. Ela segue a tradição ortodoxa, pelo fato de ser descendente de ucranianos. Maria conta que os costumes são diferentes dos católicos romanos.

“Nós celebramos a Páscoa na primeira lua cheia, após o equinócio de primavera do Oriente, neste ano será dia 28 de abril. A Páscoa é marcada pelo fim do grande jejum, a data máxima da Igreja Católica Ortodoxa. Nós costumamos celebrar com a Paskah, um pão de frutas secas que é levado à missa de Páscoa para bênção, junto a outros alimentos que não são consumidos no jejum (carnes, defumados, queijos, linguiças e manteiga), além dos ovos cozidos e pintados”, explica.

Maria conta ainda que a missa de Páscoa é um rito muito bonito, no qual se revive o calvário e passagens bíblicas importantes. “A celebração costuma ter em torno de 3 a 4 horas de duração, cantada, encerrando com a bênção dos alimentos. As celebrações da Páscoa iniciam na Quaresma, quando começa o grande jejum, 7 semanas em que se oferece o sacrifício da abdicação ao alimento em respeito a Cristo”, conta.

 

Existe Páscoa no Japão?

Lucinha Sato explica que a Páscoa é uma celebração cristã e no Japão esta não é a religião predominante

A professora aposentada Lúcia Sato, filha de japoneses, explica que a tradição da Páscoa não é comum no Japão. “A Páscoa é uma celebração cristã, portanto, não é uma data muito comemorada no Japão, onde a religião predominante é o budismo e o xintoísmo. Além do fato dos japoneses não terem o hábito de trocar presentes em datas comemorativas. Existe o comércio entre brasileiros que vendem ovos de Páscoa no Japão, ou aqueles que fazem em casa ou procuram comprar em supermercados de produtos importados”, conta.

 

Páscoa dos povos eslavos: Tradição dos ovos pintados

Pedro mantém a tradição eslava da troca de ovos coloridos com símbolo da vida

Pedro Bizzon é descendente de turcos, ucranianos e povos ciganos. Ele nasceu em Morretes, mas foi criado em Paranaguá. Traz no sangue uma mistura genética dos povos eslavos.

Essa miscigenação está presente em seus costumes e tradições. “Enquanto os brasileiros na época da Páscoa se presenteiam com ovos de chocolate, nós temos a tradição de presentear com pêssanka, que são os ovos pintados símbolo de vida e nascimento”, conta.

 

Páscoa Judaica: a libertação dos escravos no Egito

Guilherme mantém a tradição de ir à sinagoga, e comemora a Páscoa lembrando a saída do povo judeu do Egito

Páscoa Judaica é comemorada com a Sêder, que é a refeição principal, composta de 6 ingredientes

Guilherme Nascimento foi criado em Paranaguá e atualmente reside em Curitiba. Descendentes de judeus, sempre esteve ligado a suas tradições religiosas. “Essa é um época de grande importância para o nosso povo, celebramos o Pessach, que é a libertação dos escravos no Egito, o Êxodo. Neste ano, será comemorado do anoitecer do dia 19 ao anoitecer do dia 27”, conta.

“Como tradição, fazemos uma grande faxina na casa, para mandar embora tudo que há de ruim, temos como proibição ingerir alimentos fermentados, então nessa época substituímos o pão da padaria pela Matza (pão ázimo). Mas a melhor parte dessa festa é quando nos reunimos para o Sêder, que é a refeição principal, composta de 6 ingredientes, sendo um deles o cordeiro, que simboliza o poder com que Deus nos tirou do Egito”, explica.

Guilherme também destaca que a Páscoa Judaica é um período de renovar a fé, buscar conexão com as raízes, um momento de gratidão e conexão com D'us (uma das formas utilizadas por alguns judeus para se referirem a Deus em Judeu). “Desejo a todos Chag Pessach Sameach! (Feliz Festival da Páscoa!)”, finaliza.

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