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Entrevista

“A nossa secretaria é gente cuidando de gente”, afirma Levi de Andrade

Secretário Municipal de Assistência Social fala um pouco de seu trabalho

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Levi de Andrade é casado com Vanacir Miranda da Silva de Andrade e pai de cinco filhos. Foi segundo tenente do Exército Brasileiro, dando baixa após passar no concurso para agente da Polícia Federal, onde atuou durante 26 anos, sendo sua primeira lotação na cidade de Paranaguá, muito jovem ainda com apenas 21 anos, permanecendo por 11 anos no desempenho de suas funções no município, e após indo para Presidente Prudente, onde se formou em Direito. Em Paranaguá já havia se formado em Ciências Contábeis na Funfafi (atualmente Unespar). Nos últimos 14 anos, ficou morando em Curitiba, e há 11 aposentou-se da Polícia Federal, tendo no mês seguinte ingressado na advocacia. Atualmente tem escritório em Paranaguá e em Curitiba, mas neste momento está em licença por exercer cargo político (comissionado), por ter recebido o convite para assumir a pasta como secretário de Assistência Social de Paranaguá. Tem como lema em sua pasta "A nossa secretaria é gente cuidando de gente". Nesta entrevista, Levi de Andrade fala um pouco de seu trabalho frente à assistência social. Confira:

 

 

Folha do Litoral News: Como nasceu o convite para o senhor estar à frente desta importante pasta?

Andrade: Tenho uma história em Paranaguá, onde morei 11 anos e meio, trabalhei na Polícia Federal sendo minha primeira lotação. Também fui vereador na cidade. Nos últimos 11 anos estava advogando, após ter me aposentado da Polícia Federal. Na véspera da eleição, alguns candidatos vieram conversar comigo em razão do trabalho que exerço e com influência em alguns seguimentos. O Marcelo Roque foi um dos que estiveram lá, dentre outros, e analisando naquele momento, resolvi dar apoio ao Marcelo, e assim foi que me afastei do escritório, em agosto. Fui ajudar nas comunidades que eu tenho um bom conceito e, em razão desse apoio, que foi um apoio gratuito, nunca pedi cargo. Na véspera da posse, no dia 31 de dezembro, o prefeito me convidou para assumir a Secretaria de Assistência Social, o que foi para mim uma novidade. Sou policial federal, o normal seria ser chamado para a Secretaria da Segurança, sou advogado há 11 anos, talvez procurador do município, confesso que fui surpreendido com o convite. Então aceitei e está sendo um grande desafio, pois o prefeito viu em mim qualidades para cuidar desta pasta tão difícil e assim estamos há seis meses.

 

Folha do Litoral News: Muitas pessoas acreditam que a assistência social é apenas “dar” aos mais necessitados, mas vai muito além disso. Para o senhor o que é a assistência social?

Andrade: Assistência social é um adolescente como política de governo, e isso muitas vezes não é só o cidadão quem pensa, pessoas esclarecidas também. No inicio do ano, me procuravam pedindo favores tais como: o senhor pode levar um doente até tal lugar, você consegue uma cadeira de rodas, você consegue uma muleta e isso não é assistência social, isso é ação social. A ação social normalmente é feita por igrejas, por alguma entidade e até por algumas empresas. A nossa secretaria é de assistência social, ela faz política de governo para as pessoas vulneráveis, famílias em risco, com crianças, adolescentes, idosos, mulheres que sofrem violência. Então esse é o nosso trabalho na secretaria, realizar política de governo para a população vulnerável e a população em risco.

 

Folha do Litoral News: Como estão funcionando as políticas públicas em sua área em Paranaguá?

Andrade: Boa parte da população desconhece a estrutura da Secretaria De Assistência Social. Nós temos hoje 21 departamentos: são sete correios comunitários que a assistência social cuida. Temos quatro CRAS, Centro de Referência da Assistência Social, sendo na Vila Garcia, Nilson Neves, Porto dos Padres e Serraria do Rocha, eles dividem e atendem toda a cidade. Esse é o trabalho básico das nossas assistentes, os nossos servidores identificam famílias que estão com algum tipo de dificuldades, seja falta de emprego, problemas ligado a entorpecentes, bebida, famílias que estão desestruturadas. Temos um CREAS que é Centro de Referência Especializado da Assistência Social, nesse já são pessoas que já deram problemas, são mulheres com problemas, idosos, adolescentes que praticam pequenos delitos e, inclusive, quando chega ao Judiciário, é o CREAS (assistência social) que faz o programa para esses jovens terem a aplicação de medidas socioeducativas. Além disso, temos dois lares um de meninos e outro de meninas, que são crianças e adolescentes que o Conselho Tutelar e a Vara de Família entregam para a secretaria cuidar, é como se fôssemos pai e mãe dessas crianças, até que a família seja reestruturada, e se não tiver jeito, essas crianças vão para adoção. Hoje, temos quase 30 crianças e adolescente que a secretaria cuida. Tem também o Centro POP que é o setor que faz um trabalho com pessoas em situação de rua. Temos também o Restaurante Popular que aqui em nossa cidade ninguém pode dizer que vai morrer de fome, porque não tem onde comer, o restaurante popular tem uma refeição elaborada por nutricionista, várias saladas, vários pratos quentes, tem uma sobremesa, tem suco tudo isso por R$2. Qualquer pessoa em Paranaguá pode ir ao restaurante, não é perguntado onde trabalha, e no final da tarde tem o jantar por R$1. Esse trabalho é feito e as verbas são do município. São muitos trabalhos na área social, os quais são feitos com verbas estaduais e federais. Mas esse do Restaurante Popular é mantido pelo município e são cerca de 900 refeições, em média, por dia e, finalmente, se eu não esqueci de citar algum, somos responsáveis pela emissão de CTPS é a sigla de Carteira de Trabalho e Previdência Social de Paranaguá e todo o litoral. Nos próximos dias vamos fazer homologação de rescisão de trabalhador do não sindicalizado, porque o Ministério do Trabalho saiu daqui da cidade e agora o litoral está sem esse trabalho e a prefeitura assumiu essa responsabilidade pela questão social, porque é responsabilidade do Governo Federal.

 

 

Folha do Litoral News: Hoje encerra a Conferência Municipal de Assistência Social. Qual sua avaliação do evento?

Andrade: Estamos bastante surpresos, porque nós lutamos para que essa conferência tivesse esse brilho, e aqui gostaria de ressaltar o apoio que nós tivemos dos demais secretários da prefeitura e, principalmente, do prefeito Marcelo Roque que nos cobra todo mês. Esta perguntando, cobrando metas e nos tem dado todo o apoio. Ele esteve e praticamente todos os secretários estiveram participando da Conferência. Segundo o palestrante Wilson, essa é a 11.ª conferência do estado em que ele participa e foi a que mais inscrições teve para conferência, foram 80 inscritos, e a nossa foi com mais de 300 inscritos, lotando o teatro. O que vale ressaltar é que pela primeira vez que se tem o conhecimento que tem mais usuário, ou seja, pessoas da população e vai o meu agradecimento à imprensa que nos tem apoiado a divulgação. Que todas as secretarias têm um setor que ele faz a parte social naquela secretaria e isso nós chamamos de rede, que são trabalhadores do SUAS- Serviço Único de Assistência Social, que engloba trabalhadores de várias secretarias que é capitaneado pela Secretaria de Assistência Social. Foi um sucesso, daqui saíram várias propostas para convenção estadual que vai ocorrer em outubro e aqui foi escolhido democraticamente dentre os delegados e esses delegados foram eleitos, tem um delegado titular e um suplente de pessoas de situação de rua, eles escolheram um representante deles. Assim há outros delegados de outros bairros, todos os CRAS elegeram dois delegados, ou seja, tem uma representatividade excelente deles e vai ser escolhido um para representar Paranaguá na convenção em outubro. Então foi realmente um sucesso e esperamos daqui a dois anos, quem sabe no próximo, fazemos no ginásio de esportes porque não vai caber no teatro.

 

Folha do Litoral News: Fica o espaço para suas considerações.

Andrade: Quero agradecer à Folha do Litoral News a oportunidade, e também estender aos outros colegas da imprensa, pois foi muito importante esse apoio e posso dizer que assistência social vai trazer muitas novidades e vai ser um marco esta administração na assistência social. Vamos trabalhar para melhorar a situação, claro que nós não vamos resolver todos os problemas, porque o problema social não é de Paranaguá ele é brasileiro e precisa lá no Governo Federal resolver uma série de situações que trazem reflexos, mas nós podemos minimizá-los. Vamos fazer um trabalho com os empresários para conscientizá-los para empregar principalmente os nossos jovens, porque são eles que amanhã podem estar pulando a janela da casa, podem estar arrombando a porta da empresa, ou assaltando um filho de nossos filhos, levando o celular ali na praça. Vamos fazer um trabalho muito amplo, e a imprensa vai ter boas notícias da assistência social. E obrigado mais uma vez o apoio que vocês têm nos dado.

 

 

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