Sob a Ótica Maçônica

O Nobre Ofício de Culpar os Outros

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Há uma espécie curiosa de cidadão que vive em permanente estado de luto. Não por alguma tragédia específica, mas pelo simples fato de existir. Para ele, o mundo é um erro de cálculo. Nada funciona, nada presta, nada merece aprovação. O café está frio, o governo é incompetente, os vizinhos são insuportáveis, o destino é injusto e, naturalmente, a humanidade inteira parece conspirar pessoalmente contra sua tranquilidade. Uma vida dedicada ao esporte nacional da queixa.

Esses personagens são facilmente identificáveis: qualquer conversa, por mais banal que seja, acaba inevitavelmente transformada em sessão pública de lamúrias. Você menciona o clima, e eles respondem que o tempo já não é como antigamente. Fala de trabalho, e ouve que o sistema está corrompido. Menciona oportunidades, e eles explicam, com notável convicção, por que nenhuma delas jamais funcionará.

São especialistas em diagnosticar problemas. O curioso é que jamais os vemos prescrever soluções, muito menos aplicá-las.

A verdade é que a indignação, quando não exige esforço, torna-se um confortável estilo de vida. Reclamar dá menos trabalho do que agir. Criticar exige menos coragem do que mudar. E assumir o papel de vítima universal tem uma vantagem irresistível: absolve qualquer responsabilidade pessoal. Se tudo está contra mim, não há por que mover um dedo.

Assim nasce o que poderíamos chamar de o mártir da própria inércia. Aquele que espera, resignado, que alguma solução desça dos céus como um telegrama divino corrigindo os equívocos da existência.

O problema é que milagres, apesar da fama, raramente se ocupam de resolver preguiça moral.

Toda mudança digna desse nome começa num território menos espetacular: dentro de cada indivíduo. É um processo silencioso, quase doméstico. Exige vontade, disciplina, coragem e uma certa dose de lucidez. Virtudes discretas que não costumam frequentar assembleias de reclamadores profissionais.

Mas há também um elemento sem o qual nenhuma travessia se sustenta: fé. Não necessariamente aquela que se proclama em discursos solenes, mas a fé simples e obstinada de quem acredita que é possível levantar-se mais uma vez, mesmo depois de tropeçar.

Naturalmente, o caminho não será confortável. Obstáculos aparecerão com a pontualidade de velhos conhecidos. Haverá momentos de cansaço, de dúvida e até de desânimo. A tentação de desistir sempre visita quem decide caminhar.

Mas curiosamente, quase nunca as dificuldades são maiores do que a capacidade humana de enfrentá-las.

Um poeta resumiu isso com admirável economia de palavras: “Quando a noite vai alta, é sinal que pouco falta para a alvorada surgir. ”

Talvez o verdadeiro problema não seja a escuridão da noite, mas a preferência de alguns por permanecer deitados reclamando dela.

Por isso, antes de cobrar providências do universo, essa instituição que raramente responde a cartas indignadas, convém fazer algo mais simples e infinitamente mais eficaz: começar pelo próprio dever.

Porque o mundo, apesar de todos os seus defeitos, tem um curioso hábito de melhorar um pouco quando alguém decide, finalmente, fazer a sua parte.

___________________________

Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


Fique bem informado!
Siga a Folha do Litoral News no Google Notícias.

Você também poderá gostar