Sob a Ótica Maçônica

A responsabilidade que ninguém quer assumir

Por Fonseca.R Há erros que não ferem o corpo, mas atacam diretamente o ego. Admiti-los é indigesto: não passam pela garganta, arranham a vaidade, ameaçam a imagem confortável que cada ...

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Por Fonseca.R

Há erros que não ferem o corpo, mas atacam diretamente o ego. Admiti-los é indigesto: não passam pela garganta, arranham a vaidade, ameaçam a imagem confortável que cada um construiu de si mesmo. Por isso, negar costuma ser mais fácil do que reconhecer. E insistir, mais comum do que corrigir. Erramos, repetimos o erro e, num gesto quase automático, transferimos suas consequências para terceiros: o governo, o sistema, a conjuntura, o destino. Assim seguimos, tropeçando com método e convicção.

O retrato do nosso tempo poderia ser resumido numa cena conhecida: olhos fechados, ouvidos tampados, boca selada. “Não vejo. Não escuto. Não falo”. Não se trata de ignorância inocente, mas de uma escolha consciente. Ver implica assumir; ouvir exige reflexão; falar demanda responsabilidade. O silêncio, ao contrário, preserva a ilusão da inocência. Enquanto isso, as consequências dos erros convenientemente ignoradas, se acumulam como entulho varrido para debaixo do tapete.

O problema é que o tapete já não aguenta mais. Aquilo que ontem ainda chamávamos de crise começa a ganhar outro nome, menos elegante e muito mais perigoso: caos. A crise, ainda admite diagnóstico, debate e possibilidade de correção. O caos dispensa explicações; ele se impõe. E, quando chega, não distingue culpados de omissos. Atinge a todos.

O sinal de alerta está ligado há tempos. Pisca, apita, incomoda. Preferimos tratá-lo como alarme falso. Mas não é. Chegamos ao ponto em que reagir deixou de ser virtude e passou a ser questão de sobrevivência. Quando a casa ameaça ruir, não há espaço para discursos sofisticados nem para disputas de vaidade. Ou se age, ou se é soterrado.

Reagir, porém, não significa protagonizar gestos épicos nem fazer proclamações retóricas. A reação necessária é menos nobre e muito mais difícil. É juntar os cacos. Descer até o fundo do poço, cuja existência muitos ainda negam, e resgatar os últimos restos de dignidade, coragem e respeito próprio. A partir daí, iniciar a lenta tarefa da reconstrução: de valores, vínculos e responsabilidades. Retomar a ideia quase esquecida de uma sociedade mais justa, mais humana e mais igualitária.

Convém lembrar, ainda que doa, que essa não é uma luta liderada por instituições. Nem sociais, nem políticas, nem religiosas. O homem é a origem; a sociedade, a consequência. Logo, a tarefa é individual. Intransferível. A omissão também é uma escolha, talvez a mais confortável. Mas foi ela que nos trouxe até aqui. 

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Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão-Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


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