Sob a Ótica Maçônica

A Vida se Escreve nas Pequenas Decisões

Por Fonseca.R

grande oriente parana

A vida, essa velha senhora que não aceita devolução, é feita de escolhas. Algumas tão banais que passam despercebidas: café ou chá, silêncio ou reclamação, levantar agora ou daqui a cinco minutos. Outras, mais graves, chegam com o peso de um veredito: mudar de rumo, abandonar um hábito, insistir num sonho que já deu sinais de cansaço. Entre as pequenas e as grandes decisões, vamos desenhando aquilo que depois chamamos, com certo orgulho ou constrangimento, de nossa história.

Não há roteiro pré-impresso. O máximo que temos é um rascunho que se reescreve todos os dias.

Aliás, o dia, essa modesta unidade de tempo, talvez seja o maior laboratório da existência. Vinte e quatro horas. Nem mais, nem menos. O sol nasce, e com ele nasce também a oportunidade de começar outra vez. Parece pouco, mas é o suficiente para mudar um destino ou, no mínimo, corrigir a rota de ontem. Pergunta incômoda: haverá ciclo mais democrático que esse? Todo mundo recebe a mesma quantidade diária de tempo. O que se faz com ela já é outro assunto, e raramente confessável.

De repente, chega um momento curioso da vida. Um instante silencioso em que percebemos que continuar igual exige mais esforço do que mudar. É quando o velho traje começa a apertar. Não porque tenha encolhido, mas porque crescemos, ou deveríamos ter crescido.

Nesse ponto, a mudança deixa de ser um capricho e passa a ser uma necessidade quase fisiológica.

Dizem que Sócrates, sujeito que tinha o hábito perigoso de pensar, deixou escapar uma frase que atravessou séculos com certa elegância: o segredo da mudança não está em lutar contra o velho, mas em construir o novo. Aparentemente simples. Na prática, um desafio digno de Hércules. Construir o novo exige foco, disciplina e uma teimosia quase artesanal. É preciso ensinar à própria mente que outro caminho é possível, e melhor.

Com o tempo, aquilo que parecia um esforço passa a ser apenas hábito. As decisões certas deixam de parecer heroicas e se tornam naturais. Como respirar.

Mas a vida não fala apenas pela razão. Ela manda sinais. Discretos, é verdade. Às vezes, escondidos no cansaço de um erro repetido, outras vezes no entusiasmo súbito de uma possibilidade inesperada. Quem observa a natureza percebe que nada ali é permanente: as folhas caem, as águas mudam de curso, as estações trocam de figurino sem pedir licença.

Talvez devêssemos aprender com essa pedagogia silenciosa.

Entender os ciclos é entender que recomeçar não é derrota, mas movimento. Que transformar-se não é trair o passado, mas honrá-lo com inteligência.

Quando o ano termina, fazemos inventários apressados, como comerciantes contando moedas depois de fechar a loja. Mas o verdadeiro balanço não está nos números do calendário. Está naquilo que deixamos para trás e no que escolhemos levar adiante.

Cada fim de ano guarda uma pequena despedida: uma parte de nós que fica pelo caminho. E uma parte que segue viagem, um pouco mais lúcida, um pouco mais leve.

O segredo, se existe algum, talvez seja este: escolher bem o que deve ficar.E ter coragem suficiente para continuar.

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Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão-Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


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