Sob a Ótica Maçônica

E lá vamos nós outra vez

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Vivemos, a era da mentira na política. E, como se não bastasse a mentira de cada dia, este é ano de eleição. É quando a criatividade dos candidatos costuma atingir níveis que fariam inveja aos melhores autores de ficção. Promessas de toda espécie, soluções instantâneas, futuros gloriosos e, naturalmente, a velha garantia de que, desta vez, tudo será diferente.

A verdade, por mais doida que possa ser, é que o problema não está apenas em quem promete. Está também em quem acredita.

O eleitor brasileiro já deveria ter aprendido que eleição não é concurso de simpatia, nem campeonato de frases de efeito. Mas, a cada eleição, lá estamos nós, ouvindo as mesmas promessas com a mesma esperança e, não raro, escolhendo os mesmos personagens. Depois, quando a realidade aparece, e ela sempre aparece, descobrimos que o futuro glorioso ficou para a próxima campanha.

É curioso. No cotidiano, o cidadão constata que nada, ou quase nada, do que foi prometido aconteceu. Vê a saúde funcionando mal, a educação tropeçando, a segurança deixando a desejar, os serviços públicos enfrentando dificuldades, o custo de vida apertando. Reclama, e com razão, de tudo isso. Só não costuma fazer a pergunta mais incômoda: qual foi a minha responsabilidade nisso?

Porque há uma verdade que não combina com o nosso orgulho: boa parte do poder que os políticos exercem sobre nós foi entregue por nós mesmos. Pelo voto.

Reconhecer isso exige uma dose de humildade. Admitir que fomos enganados, usados ou simplesmente descuidados na escolha de nossos representantes não é agradável. Fere nosso amor próprio. O ego não gosta de reconhecer erros. É muito mais confortável culpar “os políticos”, “o sistema”, “os outros”. Qualquer coisa, menos admitir: eu votei nele. E assim seguimos. 

O eleitor, muitas vezes, comporta-se como o rebanho que caminha tranquilamente para o abate. Não reage. Não questiona. Não confere. Não compara. Pacificamente aceita. E o político, percebendo essa docilidade, essa indigência política, sente-se autorizado a repetir a fórmula. Se funciona, por que mudar?

Talvez seja justamente aí que esteja a nossa maior responsabilidade neste ano eleitoral. Votar conscientemente não significa escolher este ou aquele candidato. Significa aprender a separar realidade de demagogia. Significa desconfiar da promessa fácil, da solução milagrosa, do discurso que oferece tudo sem explicar como. Significa olhar menos para aquilo que o candidato diz que fará e mais para aquilo que, efetivamente, ele já fez. Para suas posições, sua coerência, sua trajetória e a consistência de suas propostas. É preciso perguntar: O discurso corresponde à prática?

São perguntas simples. Mas, curiosamente, parecem complicadas quando feitas em ano eleitoral.

Não se trata de exigir candidatos perfeitos. Eles não existem. Trata-se de exigir do eleitor um pouco mais de responsabilidade na escolha. Afinal, democracia não termina diante da urna. Ela começa ali.

O voto não é um prêmio. Não é favor. Não é torcida. Muito menos instrumento para satisfazer paixões pessoais. O voto é uma procuração. E, como toda procuração, deve ser entregue a alguém que mereça confiança.

Depois, não adianta reclamar do procurador quando fomos nós que lhe entregamos os poderes.

Talvez esteja na hora de interromper esse ciclo. Não porque os políticos tenham mudado. Mas porque o eleitor pode, finalmente, mudar a maneira de escolher.

Neste ano, antes de acreditar no candidato, talvez seja prudente acreditar menos nas palavras e mais nos fatos.

Porque a urna não mente.Quem pode mentir é quem vota sem pensar. 

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Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão-Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


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