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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Aspectos sobre a história do forno de caieira do Sambaqui do Guaraguaçu

Sabemos muito bem que o Litoral do Paraná era habitado por populações indígenas desde muito antes da chegada do europeu

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Sabemos muito bem que o Litoral do Paraná era habitado por populações indígenas desde muito antes da chegada do europeu. No entanto, o grupo étnico que primeiro entrou em contato com os portugueses e espanhóis foram os chamados ceramistas, muito posteriores aos indivíduos conhecidos como caçadores-coletores, os quais eram os verdadeiros construtores dos sambaquis. Mas afinal o que são estes sambaquis? Podemos defini-los genericamente como grandes amontoados de conchas de moluscos utilizadas tanto na construção destes monumentos quanto na alimentação destes povos pré-históricos. Foram intensamente destruídos principalmente para a fabricação de cal, através da queima de suas conchas em fornos chamados de caieiras. A argamassa produzida da mistura da cal de sambaqui com óleo de baleia era utilizada na construção dos antigos casarões do nosso litoral, o que pode ser facilmente observado quando percebemos nas paredes destas antigas propriedades inúmeros fragmentos de conchas.

Localizado a 300 metros do sambaqui do Guaraguaçu, e bastante conhecido das pessoas que se aventuram nesta região, encontram-se as ruínas do forno de caieira utilizado para queima das conchas retiradas deste sambaqui. O forno apresenta sete metros de altura por seis metros de base e de acordo com nossas pesquisas foi possível confirmar que sua construção ocorreu no século XIX. Sua caracterização histórica se deu a partir de investigações referentes aos carimbos da olaria “W. Hancock & Co.” presentes em tijolos que fazem parte de sua estrutura e que são provenientes do País de Gales. As informações foram obtidas contactando a Buckley Society e também o Flintshire Record Office. O cruzamento dos dados nos leva a crer que a data provável de construção da “caieira” gira em torno de 1840. É imprescindível lembrar que este forno faz parte de um importante conjunto patrimonial histórico-arqueológico do litoral paranaense e deve ser preservado.

Pesquisadores correspondentes do IHGP:

Marcos de Vasconcellos Gernet-Bacharel em Gestão Ambiental e mestre em Ciência do Solo com ênfase em Sambaquis. Professor da UFPR Setor Litoral.

Antonio Luis Serbena-Biólogo e mestre em Ecologia. Professor da UFPR Setor Litoral.