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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Dos troncos e cipós da mata Atlântica: a comercialização de madeiras e imbé no Porto de Paranaguá

Você sabia que cipós e madeiras estavam entre os principais gêneros exportados pelo Porto de Paranaguá?

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Você sabia que cipós e madeiras estavam entre os principais gêneros exportados pelo Porto de Paranaguá? Sim, antes do auge das exportações de erva-mate, o arroz, as farinhas, o imbé e as madeiras eram os principais produtos exportados.

O imbé, planta encontrada na Mata Atlântica Brasileira, possui raízes ou cipós bastante resistentes e conhecidos pelo alto poder de tração. Na baía de Paranaguá, os cipós da planta eram extraídos por lavradores para a confecção de fios (betas) e cordas utilizadas para amarras e cestarias. Outro recurso bastante exportado eram as madeiras. As árvores eram derrubadas, serradas e transformadas em ripas, tábuas e vigas. Na primeira década do século XIX, diversas pessoas empregavam-se na derrubada e serragem das madeiras. Algumas madeiras eram cobiçadas pelo seu uso na construção e lucro que poderiam gerar com a venda. Em uma correspondência, datada de 1767, o Governador da Capitania de São Paulo destacava que no Porto de Paranaguá, além dos pinheiros que podiam se tirar para fazer mastros dos navios, havia também uma coisa que chamavam de imbé de que se faziam boas cordas. Um dos trechos de suas cartas traz detalhes de como a exploração e transporte dos pinheiros poderia ser feita: “Na Comarca de Paranaguá há pinheiros que servem para a mastriação dos Navios[…] Porém, como aqueles pinheiros para se tirarem dos matos custarão muito cabedal a Real Fazenda, [..] a extração dos ditos se pode fazer com comodidade, largando-se ao povo para que os tire por sua conta do mesmo modo que tirão as canoas, as quais fazem de paus da mesma grandeza, que vão cortar em mato dentro, juntando-se todos, os conduzem a borda dos rios, aonde as põem a navegar para venderem a quem sucede querelas comprar. Com os mastros há de suceder o mesmo, e os pinheiros são infinitos, não há por ora receio de que se possam extinguir, e me parece que este negócio se poderá fazer pelo modo que aponto com pouco custo, e que pode ser muito útil para a Marinha de Sua Mag. […]”. A exploração de madeira enriqueceu muitas famílias, sobretudo, aquelas que exportavam e negociavam a madeira no mercado. Hoje, sabemos que a intensa exploração fez a araucária, símbolo do Estado do Paraná, entrar para a lista de árvores ameaçadas de extinção.

Historicamente, a Mata Atlântica é um bioma ameaçado pela ação humana. No passado seus troncos e cipós trouxeram riquezas, no presente, a maior riqueza que existe é a sua preservação.

Fonte: Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo, v. XXIII, Correspondência ao Capitão Geral Dom Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, São Paulo: Typ. Aurora, 1896. p. 396-397.

Priscila Onório Figueira – Historiadora- Diretora de Artes Plásticas IHGP biênio 2019-2020

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