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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

A Camélia Branca

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Um dos maiores símbolos da abolição da escravatura no Brasil foi uma flor. Na segunda metade do século XIX, a camélia era rara no Brasil, assim como a liberdade dos escravos. 

A Princesa Isabel ousou, diversas vezes, aparecer em público com uma camélia a adornar-lhe a roupa, fato sempre notado pelos jornais. Estas flores subversivas acabaram virando o símbolo da causa abolicionista. A pessoa que usava uma camélia na lapela ou, a cultivava no jardim da casa confessava sua fé abolicionista. Esta flor servia como uma espécie de código de identificação entre os abolicionistas, principalmente quando empenhados em ações mais perigosas, ou ilegais, como auxiliando fugas ou conseguindo esconderijo para os fugitivos. Um escravo podia identificar imediatamente possíveis aliados pelo uso de uma dessas flores na lapela, do lado do coração. 

Naqueles tempos, usar uma camélia na lapela ou tê-la em seu jardim, era uma quase acintosa confissão de fé abolicionista, alguns pés de camélias remanescentes desse tempo simbólico ainda podem ser encontrados em jardins, como na Casa de Rui Barbosa, atuante membro do movimento abolicionista. Estas flores são documentos vivos e, em algumas épocas do ano, floridas contam um triste capítulo da história do Brasil. 

No ano de 1888, no clímax da campanha abolicionista, a princesa Isabel organizou uma festa inspirada em comemorações francesas, a “Batalha das Flores”, o objetivo era mobilizar a alta sociedade de Petrópolis a arrecadar fundos para a Confederação Abolicionista. Em fevereiro, a princesa, o marido, conde d’Eu, filhos e amigos percorreram a cidade em carruagem ornamentada com camélias. Recolhiam doações e retribuíam com flores. No dia 13 de maio de 1888, no momento em que a princesa Isabel assinava a Lei Áurea, foram-lhe entregues dois buquês de camélias, um, artificial, pela diretoria da Confederação, em nome do movimento vitorioso, e outro, de flores naturais, vindas da gente do povo, que Rui Barbosa definiu como “a mais mimosa das oferendas populares.”

Hamilton F. Sampaio Junior

Historiador

Sócio Correspondente do IHGP

Referências:

ALONSO, Ângela. Triangulo negro da abolição.

DEMONER, Sônia Maria. História da Polícia Militar do Espírito Santo 1835 – 1985.

MORSE, Richard. Formação Histórica de São Paulo. São Paulo: Difel, 1970, p. 108.

FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Bras. Porto Alegre

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