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Aniversário de Curitiba

E passado esse tempo todo, os parnanguaras saudosistas ainda não se conformaram: “Por que Curitiba e não Paranaguá como capital?”

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Curitiba comemora 327 anos de fundação neste dia 29 de março.

E passado esse tempo todo, os parnanguaras saudosistas ainda não se conformaram: “Por que Curitiba e não Paranaguá como capital?”

A vinda do Conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos, o primeiro nomeado para gerir a nova Província do Paraná, não encheu de excessivo entusiasmo a população parnanguara, magoada com o fato de não ser Paranaguá escolhida para capital da Província recém-criada. 

A escolha de Curitiba, embora atendendo a conveniências de ordem geográfica, por se localizar mais ao centro do território, foi uma decepção aos parnanguaras, que contavam na certa com aquela honra. 

O Conselheiro foi recebido com festas quando aqui aportou e desembarcou no cais do mercado em novembro de 1853, sem nenhuma demonstração de despeito. Sua hospedagem ofereceu-a o comendador Joaquim Américo em seu palacete da rua Direita e até um coreto foi erguido em frente ao prédio, para nele tocar uma banda de música que viera do Rio com o presidente.

Houve baile de gala realizado no sobrado de propriedade da família Camargo. Findas as festividades com a retirada do Conselheiro, apressado em chegar a Curitiba para instalar o governo, nada ficou em Paranaguá (praça, rua ou travessa) com seu nome que o recordasse. Foi a mágoa ancestral que persiste no parnanguara de hoje, responsabilizando o Conselheiro pela preferência dada a Curitiba, porque este, consultado pela Coroa antes da decretação da lei, mostrou-se contrário à sede à beira-mar, para o que teria influído ser Paranaguá um formidável reduto do partido oposto àquele em que militava. Era preciso magoar os adversários.

Conta-se que Zacarias de Góes, surpreso com toda pompa em seu recebimento, entendeu ao chegar em Curitiba, aquele carinhoso “Boa viagem” dos parnanguaras.

Não obstante, Curitiba passou por um período de extrema pobreza. A prosperidade só viria a partir de 1812, com o tropeirismo. Depois veio a estrada de ferro, as estradas de rodagem e o desenvolvimento, com auxílio dos imigrantes europeus.

De lá para cá, Curitiba tornou-se uma das mais belas capitais do Brasil, considerada internacionalmente modelo de planejamento urbano e qualidade de vida. Parabéns, Curitiba!

Almir Silvério da Silva

Diretor do MIS – IHGP