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Centro de Letras

Relógio de Sol

Ao finalizar a análise sobre o futebol, prometi usar outro objeto de estudo para continuar observando a chegada da modernidade em Paranaguá

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Ao finalizar a análise sobre o futebol, prometi usar outro objeto de estudo para continuar observando a chegada da modernidade em Paranaguá. Deste modo, nos próximos artigos mostraria como agiam os discursos normativos em relação às mulheres parnanguaras naquela época. Mais especificamente, analisaria o choque entre o modelo de mulher (imposto de cima para baixo pelos poderes dominantes) e as mulheres reais (inseridas em contextos sociais que as impediam de seguirem o padrão imposto, mesmo se desejassem). Entretanto, apesar de não sair do tema modernidade, afinal, está ligado ao mesmo processo de urbanização iniciado no começo do século XX, surgiu um novo objeto e mudei os planos.

Uma amiga me questionou sobre o relógio de sol, praticamente abandonado ao lado da Biblioteca Municipal Leôncio Correia. Haveria um pedido de restauração na Câmara, mas como diversos monumentos da cidade, a placa de inauguração fora roubada e por isso inexistem informações no local. Realizei uma pesquisa superficial e não encontrei nada relevante. Mas o destino tem suas regras e (assistindo a um documentário) soube que estes relógios também são chamados por outro nome. Pesquisei na internet “quadrante solar Paranaguá” e surgiu um link do IBGE, com uma fotografia antiga e os dados da inauguração, inclusive o nome do construtor.

A partir das informações do IBGE, encontrei uma história incrível sobre o construtor e outra sobre o local da instalação: Praça João Gualberto. Durante a transformação urbana de Paranaguá, no início do século XX, começaram a criar este logradouro no meio do lamaçal onde havia a cruz do pica-pau – local de peregrinação popular! Veremos como a região cresceu após o aterro, ganhou importância com a construção de espaços e prédios públicos e porque construíram o relógio de sol.