Sob a Ótica Maçônica

O ideal republicano

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Em 1.889, quando o Brasil ainda não possuía partidos políticos organizados, as sociedades secretas desempenharam papel fundamental na introdução dos ideais libertários que culminariam na Proclamação da República. A ação desses grupos clandestinos de pressão, somada ao legado de outros movimentos libertários que aqui chegaram, serviu para potencializar o descontentamento da sociedade civil contra o absolutismo monárquico e o nascimento do ideal republicano.

A ideia republicana de criar uma sociedade de cidadãos livres e com direitos iguais seduziu e se fortaleceu junto à sociedade da época. Esse conceito nos remetia à “politeia grega” e à “república romana”, sonho que se consolidou nas repúblicas renascentistas, tendo Maquiavel como seu grande pensador.

A monarquia carregava consigo o ranço do absolutismo e da desigualdade entre as pessoas, sistema no qual o poder emanava da hereditariedade e os privilégios eram garantidos aos membros da realeza pelo simples fundamento do nascimento. Nesse contexto histórico, a república apresentava um rompimento com esse antigo regime, pois, em tese, defendia e garantia a qualquer pessoa a possibilidade de chegar ao poder pelo voto.

Assim, em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, então capital do país, o Marechal Deodoro da Fonseca, liderando um grupo de militares, proclamou a República do Brasil.

É fato histórico que os maçons, entre eles o próprio Marechal Deodoro da Fonseca, foram partícipes nos eventos políticos brasileiros da época que culminaram na Proclamação da República. Também é fato que Quintino Bocaiúva, Benjamin Constant e Rui Barbosa faziam parte do primeiro ministério e eram todos maçons. Entre os 12 presidentes da Primeira República, oito eram maçons, e ao longo desses 134 anos de república tem sido constante a presença de maçons no desempenho de importantes cargos junto aos nossos três poderes.

É difícil afirmar que todas as contribuições e participações dos maçons nas questões sociais e políticas alcançaram os resultados pretendidos. Como seres humanos, também os maçons podem realizar ações bem-intencionadas que não lograram o êxito pretendido, assim como não há como evitar que más atuações tenham sido praticadas, conscientes ou não, pois errar é humano, independentemente de ser ou não maçom.

É extremamente importante discutir a história do Brasil, estudar com seriedade as diversas interpretações e críticas sobre os fatos e eventos históricos e como se deu a participação de maçons nos episódios pátrios relevantes, em especial sua coexistência com a república. Os objetivos que levaram a esse protagonismo e as condições de aplicação dos princípios da Ordem maçônica merecem análise criteriosa, observando-se as condutas e o papel de cada um na linha do tempo da história nacional.

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