Sob a Ótica Maçônica

O espelho rachado

Por Fonseca.R

grande oriente parana

Vivemos numa era em que as pessoas não se apresentam como são, mas como gostariam que os outros acreditassem que fossem. Uma sociedade inteira maquiada, não só de pó de arroz, mas de intenções, poses e filtros digitais. E quanto mais a imagem é construída, menos substância há atrás dela. Margaret Thatcher já dizia: “Se você precisa provar que é, então é porque não é.” Parece óbvio, mas ninguém gosta de lidar com obviedades. Preferem o perfume barato da ilusão.

E aí eu pergunto: quem é você? Não quem aparece na foto do perfil, nem quem discursa no jantar de família. Quem é você, de verdade? Ou melhor: a quem você quer enganar? Aos outros ou a si mesmo? Porque, sejamos francos, sustentar mentira dá um trabalho danado. E pior: cansa. E mais cedo ou mais tarde, spoiler da vida, a máscara cai.

Abraham Lincoln, que entendia um pouco de gente, já alertava: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas pessoas por algum tempo; mas não consegue enganar todas as pessoas o tempo todo. ” Ou seja: aproveite enquanto dura, porque o espetáculo tem hora marcada para acabar. E não há maquiagem que resista ao suor da realidade.

Acorda, Cinderela: o sonho acabou. O príncipe virou sapo, a carruagem voltou a ser abóbora e a meia-noite não atrasa. O problema é que muita gente insiste em continuar no baile, rodopiando sozinha, fingindo que a música não parou. E, convenhamos, dançar sem música é patético.

Ser você mesmo não é vergonha. É coragem. O difícil é encarar no espelho aquele ser humano sem Photoshop, sem currículo inventado, sem títulos honoríficos que só existem na própria cabeça. Isso dói, e dói muito. Mas também liberta. Porque sustentar uma mentira é como carregar um saco de cimento nas costas: pesado, desgastante e, no fim, inútil.

A autenticidade tem um preço. Sempre teve. O preço é a dor inicial de encarar o que se é. Mas o alívio que vem depois compensa: é como tirar os sapatos apertados no fim do dia. De repente, respirar fica mais fácil. Viver fica mais leve.

Então, para os falsos protagonistas da própria novela: cuidado. O público é exigente, e o roteiro mal escrito não convence. Um dia, um dia a mais ou um dia a menos, o palco desmorona. E não há close que disfarce a queda.

Seja você. Só você. Porque o resto, no máximo, será caricatura. E viver de caricatura é um dos piores castigos: significa ser lembrado não pelo que foi, mas pela farsa que tentou ser.

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Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias


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