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Caos Ferroviário

Atendimento do SAMU é prejudicado pelas manobras da RUMO

Ambulância foi impedida de atender à emergência com rapidez devido à manobra do trem em janeiro de 2017, quando um rapaz quase morreu eletrocutado na Vila Paranaguá

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O atendimento móvel de urgência possui fluxo prioritário no trânsito. No entanto, em Paranaguá, devido ao trânsito contínuo de trens em horários variados pela manhã, tarde e noite, o trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) vem sendo prejudicado, segundo representantes dos setores médico, logístico e de enfermagem do SAMU. De acordo com os profissionais, pacientes, muitas vezes, têm que aguardar mais de 40 minutos para serem atendidos, em virtude de os vagões estarem atravessando a cidade, o que interrompe a passagem da ambulância. Além disso, nem o simples contato via rádio é permitido ao SAMU pela RUMO, que prometeu que no primeiro semestre de 2017 iria encontrar meios para facilitar a passagem das ambulâncias, no entanto isso não se concretizou.
 

REPRESENTANTES DA ÁREA DE SAÚDE

De acordo com o Dr. João Cláudio Campos Pereira, diretor técnico do SAMU de Paranaguá e do Litoral, o fato de Paranaguá ser cortada pelas vias férreas afeta o tempo para atendimento de pacientes graves. “A nossa base fica em um dos lados do trilho e quando a ocorrência é registrada do outro lado da linha férrea nós podemos realmente sofrer interferência no tempo de resposta da nossa equipe. Isso já ocorreu diversas vezes. Já ficamos presos tanto do lado de cá do trilho referente à base, onde não conseguimos chegar até a vítima, como em outros momentos não conseguimos atender a vítima e levá-la até o hospital”, explica. 

Dr. João Cláudio Campos Pereira, diretor técnico do SAMU de Paranaguá e do Litoral

 

“No caso dos pacientes que estão em situações mais críticas, como, por exemplo, em casos de parada cardiorrespiratória, qualquer minuto que a gente perde é precioso. Sem dúvida alguma um atraso de um, dois ou três minutos, pode ser significativo para o prognóstico deste paciente”, explica, destacando que o tempo de atendimento deve ser o mais rápido possível para garantir a vida e a integridade física do atendido. Conforme repassou o diretor técnico, há vezes em que há a necessidade de que a ambulância faça a volta pela Costeira para chegar ao outro lado do trilho, afetando consideravelmente o atendimento das emergências.

Segundo o médico, se fossem criadas alternativas de fluxo constante nas vias, sem interrupção por conta do trem, com criação de viadutos ou passagens de nível, isso iria colaborar com o atendimento móvel de urgência em Paranaguá. “Sem dúvida alguma a resposta que daríamos seria melhor nestes casos”, comenta.


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QUASE TRAGÉDIA

Segundo Fernanda Ferreira Marques Aredes, enfermeira e diretora de Enfermagem do SAMU, no primeiro semestre de 2017, houve um caso que exemplificou o prejuízo que o tráfego de trens pode causar ao atendimento de emergência em Paranaguá. “Eu estava na casa da minha mãe, na Rua Samuel Pires de Mello, na Vila Paranaguá, quando estavam fazendo manutenção de rede elétrica e um rapaz foi afetado por descarga elétrica. Por sorte, ou por Jesus, eu estava lá e fiz os procedimentos de reanimação e de atendimento. Neste período, o SAMU demorou por causa do trem. Houve mais de meia hora de agonia aguardando atendimento médico, principalmente de emergência. Alguns minutos podem tirar a vida de uma pessoa”, completa.


Geovane Rainert Gonçalves (foto), diretor de Departamento de Transporte e Logística do SAMU, destaca que a RUMO afeta de forma grave o trabalho logístico e operacional de atendimento de emergência em Paranaguá. “No começo, quando a RUMO assumiu a concessão da ferrovia, veio o gerente operacional com uma equipe tentando melhorar a questão do deslocamento da ambulância para atravessar a linha férrea. Eles deixaram um número operacional para que, caso tivesse que atravessar a linha férrea, eles iriam colaborar, até mesmo segurando a locomotiva ou desviando a rota, mas isto não está ocorrendo”, acrescenta.

 

SEM RESPOSTA

“Já aconteceu do rádio operador do SAMU entrar em contato com o rádio da RUMO e nem mesmo obter resposta. Tivemos casos em que a ambulância ficou 40 minutos parada aguardando a passagem do trem. A parte operacional do SAMU está sendo afetada por esta empresa. Nós lidamos com vida, salvando vidas, eles têm que imaginar que pode ser um parente deles. Na minha opinião e na de vários funcionários do SAMU, percebemos que a empresa não está nem aí para Paranaguá”, critica o diretor Gonçalves.
De acordo com Geovane Gonçalves, há um esforço político do prefeito Marcelo Roque e do presidente da Câmara, vereador Marcus Elias Roque, que sancionou uma Lei para priorizar o fluxo das ambulâncias do SAMU perante a linha férrea, como forma de respeito à vida e à dignidade humana do povo parnanguara. “Temos que parabenizar este esforço político do prefeito, do presidente da Câmara e dos vereadores. São medidas assim que são necessárias para melhorar não só o atendimento do SAMU, como também a ação do Corpo de Bombeiros, da Guarda Civil Municipal, da Polícia Militar, enfim, das autoridades, bem como a população que chega atrasada no trabalho por causa do trem”, explica.  

 

ALTERNATIVAS

Alternativas como um viaduto ou o rebaixamento da linha férrea seriam viáveis para Paranaguá não sofrer mais com os trens da RUMO, segundo o diretor de Logística do SAMU, no entanto a mera resposta de rádio por parte da empresa já seria algo positivo e faria a diferença no atendimento móvel de urgência. “A RUMO visitou a parte operacional do SAMU. Demos ideia de fazermos um treinamento conjunto com um funcionário do SAMU que trabalha como operador de rádio para aumentar esta comunicação com a empresa férrea, alinhando o sistema deles de rádio com o nosso, porém eles ficaram de mandar um técnico para conversar conosco há meses e até hoje estamos esperando”, explica. “Eles estão pensando que mandam na cidade”, finaliza.

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