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Educação

Crianças conciliam a vida no circo com os estudos

Professores buscam avaliar de forma justa, analisando o conhecimento cultural das crianças que moram com pais ou responsáveis em circo

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São meninos e meninas que possuem bagagem rica de experiência de vida

Eles mudam de cidade a cada mês e chegam a estudar em até dez escolas em um ano. Assim é a rotina dos filhos dos artistas de circo. Para muitas pessoas é estranho, mas para eles é normal e divertido. 

O Circo Portugal está passando por Paranaguá e no mesmo dia em que estava sendo montado, os pais matricularam seus filhos no estabelecimento de ensino mais próximo: a Escola Municipal Sully Vilarinho, na Ponta do Caju. 

São sete crianças que mostram muito desembaraço na hora de conversar, trazendo uma bagagem rica de experiência de vida. Eles já percorreram todas as regiões do Brasil e alguns países da América do Sul como Uruguai e Chile. 

Já brincaram na neve e também nos solos áridos do sertão. Para Ana Clara Marques, de 10 anos, a vida itinerante tem o lado bom justamente por causa disso. 

“É muito bom viver no circo. Eu gosto de ver as pessoas sorrindo. O nosso trabalho é levar a alegria por onde passamos. O lado ruim é na hora de ir embora e deixar os amigos para trás. Cada cidade que passamos temos uma lembrança e uma história diferente. No Uruguai enfrentamos um frio que nunca vi igual”, contou a menina, que sonha em ser médica.

Ana Clara não pretende seguir a profissão da mãe, que é bailarina e também trabalha na bilheteria. “Eu amo o circo, mas quero ajudar a curar as pessoas. Sempre sonhei com isso”, apontou. 

Luan de Souza Barbosa, de 10 anos, filho de porteiro e palhaço, disse que uma escola é diferente da outra e as pessoas também. “Já estamos acostumados a viver assim. Eu acho legal essa vida porque podemos conhecer o Brasil e ver que cada lugar tem costumes diferentes. Gostei de Paranaguá, as pessoas falam rápido. Gostei da escola também, mas logo estaremos indo embora e vamos sentir saudades”, disse. 

Cada um deles nasceu em cidades diferentes. Isac Ventura Ferreira, 11 anos, é natural de Manaus. Seus pais vendem brinquedo no circo, e ele pretende seguir a carreira no circo porque é um lugar que tem muita alegria. Sua maior expectativa é o momento de se tornar artista e poder se apresentar para o público.

Danilo Piepe, de 8 anos, contou que é triste quando se despede de um amigo. “Mas quando encontro outro acho bem legal. Estamos acostumados a fazer amizades e também a perder”, afirma.

Igor Ventura, José Bernardo e Davi Vale, todos de 8 anos, contaram que a vida no circo é divertida. Para eles, o mais legal é viajar, conhecer lugares diferentes. 

Eles nasceram em cidades diferentes e estão habituados a vida itinerante

AVALIAÇÃO DIFERENCIADA 

De acordo com a pedagoga Evelise Guilherme, a avaliação é feita de forma diferenciada. “Levamos em consideração a realidade de cada um deles. Cada um traz histórias diferentes e são avaliados no contexto geral. Cada cidade tem métodos diferentes, por isso temos que ter muito cuidado para avaliar da melhor forma possível. Existem muitas dificuldades na questão pedagógica porque mudam de cidade e de País. Nossa avaliação é desenvolvida em conjunto pela coordenação e orientação educacional e verificamos o contexto histórico-social dos alunos, pois pertencem a uma família circense. Desta forma compreendemos o seu universo cultural”, explica. 

O pedagogo e coordenador da escola, Wagner Maquiaveli, ressaltou que a equipe está tomando o máximo de cuidado para avaliar as crianças, analisando principalmente os conhecimentos acumulados pelas experiências de vida de cada um. “Nós observamos que eles narram fatos e expõem suas ideias verbalmente de forma clara e com argumentos. Avaliamos de forma que não sejam prejudicados, pois as médias escolares mudam de um Estado para outro”, apontou. 

A questão do apego não existe apenas entre os colegas. Todas as professoras foram unânimes ao dizer que vão sentir saudades das crianças, pois em três semanas já estabeleceram uma relação muito próxima. “A Ana Clara é uma menina maravilhosa. É muito comunicativa e tem muito conhecimento cultural”, apontou a pedagoga Evelise. 

A mudança de escola em escola é garantida pela Lei Federal n.º 6.533, que regulamenta a profissão de artista. Nela é assegurada a transferência da matrícula e consequente vaga nas escolas públicas. 

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