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Racismo Não

“Até para ser vítima tem um preço”, afirma jogadora de vôlei sobre injúria racial sofrida

Suellen fez a denúncia durante a partida dos Jogos Abertos do Paraná

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Foto: Thaise Oliveira

Suellen Cordeiro, de 34 anos, joga vôlei desde os 12. Já participou de muitas competições no Estado do Paraná. Mas, nessa semana, um caso ocorrido durante uma partida do Jogos Abertos envolvendo a atleta, ganhou repercussão e ela passou a ser reconhecida. Suellen foi vítima de injúria racial, quando um torcedor do time adversário proferiu ofensas se referindo à cor da sua pele no último domingo, 18, em Campo Largo.

O homem teria chamado a atleta de preta e fez gestos imitando um macaco. A Polícia Militar foi acionada e ele foi preso em flagrante. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) instaurou um inquérito para investigar o caso e as diligências cabíveis são realizadas a fim de elucidar o fato.

Jogadora tem história de sucesso nas quadras

A atleta é jogadora do Nelp Univolei Paranaguá e tem uma história de sucesso nas quadras. “Jogo vôlei desde os 12 anos, já participei de quase todas as competições do nosso Estado, escolares, juventude, abertos, Taça Paraná, Campeonato Estadual série A e B, Campeonato Sul, tive a sorte de estar no pódio já de todas essas competições no decorrer desses anos”, contou Suellen.

Segundo ela, no início da partida entre Colombo e Paranaguá no último domingo, 18, o homem se referia a todas as atletas. Depois, ela percebeu que as ofensas começaram a ser dirigidas somente a ela. “No jogo, no início, ele xingava a todas as atletas, ficou mais perceptível que era comigo só no final do 1.° para o 2.° set. Nunca passei por essa situação dentro ou fora de quadra”, enfatizou Suellen.

Denúncia e o fim da impunidade ao racismo

Sobre a importância de fazer as denúncias, ela ressalta que casos como esse não podem ficar impunes. “A importância de denunciar é mostrar que não se pode falar o que quer confiando na impunidade e, no meu caso, exigir melhor postura da equipe de arbitragem diante de casos como o que eu passei”, frisou a atleta.

Notas de repúdio

Desde que o fato ganhou repercussão, Suellen disse que tem recebido apoio de várias pessoas, ligadas ou não ao esporte. O secretário municipal de Esportes de Paranaguá, Helton Ambrósio, repudiou o ato racista. “Prezamos sempre pelo respeito, ética e um ambiente saudável durante as partidas, por isso me solidarizo com toda equipe da NELP Univolei/SESPOR diante dos fatos ocorridos”, afirmou Helton.

Ela também recebeu apoio da presidente da Nelp Univolei Paranaguá, Geórgia da Cunha Bem, que manifestou todo seu repúdio a qualquer ato racista que venha ocorrer no ambiente esportivo. Em nota, o Governo do Estado do Paraná reforçou que “o objetivo do esporte é unir as pessoas, promover a inclusão e celebrar a diversidade”.

“Estou recebendo muito apoio, de amigos, atletas, pessoas públicas como vereadores, secretários, técnicos, árbitros e veículos de informação. A lição que tiro é que até para ser vítima tem um preço, não é fácil denunciar alguém e o outro lado botar sua moral em julgamento. Me acusam até de querer me aparecer, quando o mínimo seria só respeitar a minha pele que não estaríamos falando sobre isso hoje”, lembrou Suellen.

Esse e outros fatos recentes de racismo no meio esportivo devem servir de exemplo para que outros atletas e a sociedade não se calem. “Espero que o medo de denunciar esse crime diminua, é doloroso tudo que estou passando, mas tenho certeza que vai encorajar outras vítimas a não se calar”, finalizou.

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