Para quem visita o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR), em Paranaguá, há grandes chances de encontrar um homem sempre disposto a contar histórias, esclarecer dúvidas e compartilhar curiosidades sobre um dos prédios mais emblemáticos da cidade. Aos 68 anos, Luiz Cezar Rodrigues é considerado por muitos um verdadeiro “arquivo vivo” do museu.
Há 43 anos e dois meses trabalhando na instituição, ele acompanhou transformações, reformas e mudanças na forma como a história é apresentada ao público. Sua trajetória se mistura à do próprio museu. “Eu comecei mais ou menos com 23 anos aqui, em 1983. A partir de lá, comecei a acompanhar todas as evoluções que teve o museu”, relembra.
Luiz Cezar atua como auxiliar administrativo e é responsável por diversas atividades ligadas ao funcionamento da instituição. “Hoje estamos com cinco funcionários da universidade, todos empenhados para engrandecer o museu. Cada um pega uma área e eu fico com a parte de divulgação, estatística e contato com as autoridades. Esse é o meu trabalho praticamente”, explica.
Aprender para ensinar
Mais do que trabalhar no local, Luiz Cézar faz questão de estudar a história de Paranaguá e do próprio museu. Segundo ele, o conhecimento é construído diariamente por meio de pesquisas e debates realizados entre a equipe. “Além de trabalhar aqui, a gente estuda. Tem um grupo de estudos que participa das discussões às sextas-feiras. A gente debate muitas partes históricas de Paranaguá, inclusive do museu”, conta.
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Esse envolvimento faz com que ele seja uma das principais referências para visitantes que buscam informações detalhadas sobre o prédio e sua importância histórica. “Hoje em dia, praticamente, eu sou um arquivo vivo. Desde 1983 vi diversas reformas. As pessoas vêm me consultar e eu consigo dar as dicas e explicar as mudanças que aconteceram ao longo do tempo”, observa.

Embora não tenha cursado faculdade, Luiz Cezar construiu seu conhecimento por meio de cursos e da experiência acumulada ao longo dos anos. “Eu fui fazendo cursos aqui e ali. Hoje tenho um conhecimento que talvez seja pouquinho, mas é de grande valor para o pessoal. Quem chega aqui quer saber os detalhes, a história do prédio, o que funcionava aqui antes, e eu consigo explicar”, comenta.
Uma paixão que atravessa décadas
Depois de mais de quatro décadas de trabalho, a aposentadoria ainda não faz parte dos planos do servidor. “Eu quero continuar. Felizmente faço parte dos conselhos da cidade e estou sempre envolvido com atividades. Estar aqui é gratificante. Eu adoro trabalhar com o público”, salienta.
A relação construída com moradores e turistas é um dos aspectos que mais o motivam. “Acho que a gente cria uma simpatia, uma empatia com o público. Tem pessoas que eu nem conheço e vêm me cumprimentar. É magnífico trabalhar com o público e ser reconhecido”, comemora.
Segundo ele, o reconhecimento ultrapassa as fronteiras brasileiras. “Sempre estamos tirando fotos com visitantes. Essas fotos vão para diversos países. Outro dia uma foto minha foi parar na Ucrânia”, lembra.
O valor da história de Paranaguá
Apaixonado pela cidade, Luiz Cézar acredita que conhecer a história local é fundamental para compreender a identidade parnanguara.“Paranaguá tem tantas histórias. Muitos visitantes estrangeiros se encantam com o patrimônio histórico da cidade. Tem pessoas da Grécia que dizem que a Rua da Praia lembra o país deles. Eles adoram Paranaguá. Também já vieram turistas para conhecer os manguezais e alguns chegaram a dizer que gostariam de ficar morando aqui”, conta.

Histórias e curiosidades de um prédio secular
Instalado em um edifício histórico que começou a funcionar em 1755 como Colégio dos Jesuítas, o museu guarda séculos de memórias. O espaço foi transformado oficialmente em museu em 29 de julho de 1963, justamente no aniversário de Paranaguá.
Ao longo dos anos, Luiz Cezar acumulou inúmeras lembranças vividas dentro do prédio. Entre elas, episódios curiosos que envolvem relatos de fenômenos considerados inexplicáveis. “Eu estava numa aula de inglês à noite quando apareceu, sentado numa conversadeira, o que parecia ser um soldado espanhol”, relata. Embora conte essas histórias com naturalidade, ele ressalta que o principal patrimônio do museu está na riqueza cultural e histórica preservada em suas salas.
Convite à população
No ano em que Paranaguá celebra mais um aniversário, Luiz Cézar faz questão de deixar um convite para moradores e visitantes conhecerem ou revisitarem o espaço. “O museu tem mais de 1.720 metros quadrados, possui elevador para pessoas com deficiência motora e está chamando você para visitar”, enfatiza. “Venham conhecer o museu. É inteiramente grátis e funciona de terça a domingo, das oito da manhã às oito da noite”, destaca.





