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Coronavírus

Diretor da 1.ª RS atribui crescimento de casos da Covid-19 às aglomerações no verão

José Carlos Abreu explica que até que haja cobertura vacinal de 70% da população, uso de máscara, distanciamento e higiene devem prosseguir

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Abreu alerta para que medidas preventivas sejam reforçadas 

O número de casos de Covid-19 e de internações e óbitos decorrentes da doença no Hospital Regional do Litoral (HRL) demonstraram, nos últimos dias, um crescimento da pandemia nos sete municípios da região, algo que também ocorre em outras regiões do Paraná. O diretor da 1.ª Regional de Saúde (1.ª RS) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), José Carlos de Abreu, concedeu entrevista na qual destacou que o aumento de pacientes infectados pelo Coronavírus, bem como de óbitos, possui relação com o recesso de Carnaval, período em que houve aglomerações nas praias e região e aumento da circulação do vírus, mesmo com o cancelamento das festividades pelo Poder Público. Abreu reforça que é necessário redobrar as medidas de prevenção neste período de crescimento pandêmico em todo o Paraná. 

“Em relação ao aumento de mortes devido à Covid-19 em Paranaguá e no litoral, realmente nós observamos uma tendência nos meses, a partir da segunda metade de janeiro e neste começo de fevereiro, um aumento no número de casos e mortes em todo o litoral. As mortes ocorrem, principalmente, no HRL devido a ele ser o responsável por atender em toda a região todos os pacientes com Covid-19 em situação de gravidade. Como todos nós sabemos, esta doença tem uma letalidade esperada, e o que temos observado no litoral é uma expressão clara da medida em que você sabe que entre aqueles que vão adoecer alguns morrem, infelizmente eles morrem de forma concentrada no Hospital Regional”, afirma.

“Apesar de lamentar muito essas mortes, elas se encontram em parâmetros de ocorrência exatamente igual aos verificados em outras regiões do Paraná. Este aumento do número de casos e óbitos expressa, de forma clara, primeiro a continuidade da pandemia no litoral, a região, como nós sempre dissemos, é muito sensível e sofre a influência de fatores como a grande mobilidade de pessoas que descem ao litoral em fins de semana e no verão, o que faz com que se aumente muito a população na região. Com mais contato, mais proximidade entre as pessoas, facilita o processo de transmissão, por isso que a gente não cansa de insistir naquelas medidas de prevenção como o uso de máscara, distanciamento entre as pessoas, lavagem das mãos, evitar aglomerações, quando você for em um ambiente com necessidade de compartilhamento de espaço com outras pessoas sempre use máscara e mantenha distanciamento de 1,5 a 2 metros”, explica.

Carnaval

O chefe da 1.ª RS ressalta o fato de o crescimento da pandemia ter ocorrido antes mesmo do Carnaval. “Nós tivemos um Carnaval diferente, em que, apesar das recomendações das autoridades para que se evitassem as aglomerações, a gente pôde observar no litoral um aumento no número de pessoas. Essas pessoas hoje acabam se reunindo nos seus ambientes familiares ou, muitas vezes, em grupos da mesma família nas praias e região, sempre com uma expectativa que não tenham pessoas sintomáticas entre eles, mas o que temos que levar em conta é o fato de que entre aquelas pessoas que possuem contato com o vírus, cerca de 80% delas não vão expressar nenhum sintoma. Essas aglomerações que ocorrem mesmo entre famílias não excluem a possibilidade de que alguém esteja contaminado e possa transmitir essa doença para seus familiares”, explica.

“Esta doença é perversa em seus efeitos, porque ela acaba atingindo principalmente os mais frágeis, entre elas pessoas idosas, diabéticas e hipertensas, as quais possuem o risco maior de adoecer e, infelizmente, em muitos casos, virar óbito. O que recomendamos é que se evitem aglomerações”, explica, destacando que em 2021 o que se percebe é um crescimento de pessoas ocupando seus domicílios no litoral. “As pessoas estavam com seus filhos afastados das escolas, levaram seus idosos e procuraram um ambiente mais arejado e livre, assim, acabaram indo para a praia, isso acabou resultando em aglomerações que podem acontecer em um espaço público, na beira da praia mesmo, ou então em supermercados e outros locais que as pessoas vão para fazer suas compras. Isso aumenta a circulação e tem gerado problemas, aumentando a transmissão na região”, alerta.

De acordo com Abreu, no último fim de semana foi observada, no litoral e região macroleste do Paraná, incluindo Curitiba e Região Metropolitana, uma situação preocupante. “Atingimos a saturação plena da nossa capacidade de internações, chegamos a atingir quase 100% da ocupação dos leitos da UTI. Há uma expectativa de ainda nesta semana estarmos sob o efeito daquelas aglomerações que ocorreram durante e depois do Carnaval. Durante esses 15 dias nessas duas semanas que vivemos após o Carnaval ainda temos uma possibilidade grande de novos casos”, lamenta.

Novas variantes

O diretor ressalta que há circulação contínua de pessoas no litoral de pessoas a trabalho ou a lazer, algo que gera um alerta da sociedade e Poder Público, principalmente com a chegada da nova variante do vírus ao Paraná. “Esta circulação de mercadorias, pessoas e turistas, muito nos preocupa. Temos lugares aprazíveis no litoral, temos a beleza da Ilha do Mel, que atrai pessoas de várias regiões do País. Acredito que especialmente os nossos comerciantes se organizaram para receber essas pessoas, pactuaram conosco uma responsabilidade social no sentido de irem fazendo identificação com pessoas que apresentem sintomas da Covid-19, fazendo o seu isolamento e encaminhando ao serviço de saúde. Entretanto, sempre sobra algum risco para nós. Temos aqui também o Porto, que mantém ativo o seu processo de vigilância, que é exemplar observando chegada de tripulantes, pesquisando em todos eles se há algum com sintoma. No litoral, temos esta vantagem de que as pessoas estão conscientes quanto ao risco de circulação de indivíduos, estão cumprindo sua responsabilidade”, acrescenta.

“Me preocupa e preocupa a todas as autoridades sanitárias a circulação dessas novas variantes e, infelizmente, a exemplo do que já vivemos com a Covid-19, há uma possibilidade de que alguém possa chegar aqui contaminado, mas nós estamos alertas com as equipes de vigilância dos municípios, para a qualquer suspeita de um caso que venha de um região no Brasil ou fora do País, que tenha variantes novas circulando, que a gente imediatamente colete amostras e mande para identificação”, afirma Abreu.

Vacinação

Sobre a vacinação contra a Covid-19 no litoral paranaense, o gestor ressalta que, junto aos municípios, está sendo feito um trabalho positivo e responsável quanto à imunização. “Foram vacinadas pessoas com um contingente de vacinas que ainda é muito resumido. Nós recebemos de 1.ª dose para o litoral cerca de 5.720 doses e já aplicamos em torno de 90% delas, quase 5 mil doses foram aplicadas. É ainda um contingente muito pequeno, quando lembramos que o nosso litoral tem mais de 300 mil pessoas, mas o que a gente tem que valorizar neste processo é que, simbolicamente, a gente já deu início à vacinação”, afirma.

“Todo o esforço que tivemos com a população de manter as medidas de restrição, usar máscara, álcool, evitar aglomerações, agora passa a ter um sentido mais objetivo, pois as vacinas estão chegando. Então, temos uma expectativa de em março o Estado já tenha recebido um número de doses muito mais significativo e que consigamos avançar na imunização daqueles grupos mais suscetíveis, como pessoas acima de 60 anos, com doenças, imunodeprimidas, ou com diabetes e hipertensão. Acredito que, se houver um esforço do Ministério da Saúde, e dos órgãos que produzem e importam a vacina no Brasil, teremos competência através das salas de vacinação dos municípios de vacinar grande parte da população litorânea”, informa o diretor.

Mensagem à população

A mensagem que José de Abreu deixa à população é que estamos vencendo a pandemia. “Eventuais aumentos no número de casos e óbitos, que de repente caem ou sobem, se nós não tivéssemos todos unidos neste esforço de tentar quebrar o ciclo de transmissão deste vírus, nós estaríamos vivendo uma situação infinitamente pior do que a que vivemos”, explica, destacando que há mais de um ano estamos vivendo uma situação de decretos restritivos de circulação. “Isso satura, cansa as pessoas, os profissionais de saúde também estão cansados. O que temos de boa notícia neste momento é que estamos conhecendo mais a doença do que conhecíamos no início da pandemia. Este conhecimento se reflete, por exemplo, em uma redução da taxa de letalidade”, informa.

“A doença continua grave e matando, mas aprendemos algumas coisas, quando a gente se isola e fazemos uso das medidas sanitárias, rapidamente a pandemia cai. O grande exemplo disso são esses picos e curvas que temos observado. De repente as pessoas relaxam, têm aquela sensação de que está passando, se aglomeram e reúnem, surge um pico, então as pessoas se assustam, recuam, voltam a ter cuidado, ela cai. Isso vai continuar existindo até o momento que ocorra uma cobertura vacinal significativa”, afirma Abreu. “Quero deixar uma mensagem de esperança, nós nunca na história das nossas grandes epidemias, tivemos uma resposta tão rápida e significativa quanto essa. Em menos de um ano a vacina já estava desenvolvida, está sendo aplicada e é uma realidade”, explica.