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Entenda, de fato, o que é o Feminismo

09 de março de 2019

Psicóloga e mestra em educação diz que movimento é para acabar com a exploração sexista e opressão.

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Com o “boom” das redes sociais, temas que antes sequer eram discutidos, começaram a tomar conta da Internet. Assuntos que não eram tratados em casa ou nas escolas passaram também, com o apoio da mídia, a fazer parte das rodas de conservas, de palestras e de estudos. Um deles é o feminismo.

A psicóloga pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestra em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso e doutoranda em psicologia pela Universidade Estadual Paulista, Molise de Bem Magnabosco, explica o que é o feminismo

O tema passou a ser discurso frequente de mulheres de representatividade, como Malala Yousafzai (a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz), a ex-primeira dama Michelle Obama, as cantoras Beyoncé, Alicia Keys, e a princesa Meghan Markle, entre tantas outras.

Recentemente, livros de autoras contemporâneas reconhecidas, como a nigeriana Chimamanda Ngozi e Heloísa Buarque de Holanda, por exemplo, passaram a entrar na lista dos mais vendidos em todo o mundo e a chamar a atenção das pessoas para essa “explosão feminista”.

FEMINISMO NÃO É FALTA DE FEMINILIDADE

Segundo a escritora Clara Averbuck, “feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou rímel. Usar a maquiagem e a roupa que tem vontade também são conquistas femininas”, destaca.

A própria princesa Meghan Markle passou a quebrar os protocolos e fazer seus discursos por conta própria sobre feminismo. “O voto feminino é sobre o feminismo e o feminismo é sobre justiça. Não se trata só do direito de votar, mas o que isso representa: o direito básico e fundamental de participar das decisões do seu futuro, da sua comunidade, o envolvimento e a voz que te permitem ser parte do seu mundo”, destacou a princesa modernista, em um de seus discursos públicos.

MAS O QUE É DE FATO ESSE MOVIMENTO?

A psicóloga pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestra em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso e doutoranda em psicologia pela Universidade Estadual Paulista, Molise de Bem Magnabosco, explica o que é o feminismo tão discutido nos dias atuais. “O feminismo é um movimento amplo e variado. Podemos dizer, inclusive, que não há um feminismo especificamente, mas sim feminismos”, explica a psicóloga. “Gosto bastante de uma definição trazida pela Bell Hooks (teórica feminista negra norte-americana), em seu livro “O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras”, segundo a qual “feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, exploração sexista e opressão”, destaca.

Molise diz ainda que “dito de forma simples, o sexismo é a discriminação baseada em gênero que faz com que pensemos que homens e mulheres têm modos de ser e de agir diferentes e, consequentemente, devem ocupar lugares distintos em nossa sociedade”, enfatiza.

A mestra em educação lembra a cultura do machismo que se perpetua na sociedade e que faz ainda ver hoje, o feminismo sob julgamentos e repúdios. “Para a sociedade, homens são razão e mulheres são emoção. Homens gostam de futebol e mulheres de balé. Homens dominam o âmbito público (trabalham fora, compõem a maior parte do quadro de representantes políticos eleitos) e mulheres são do mundo privado (responsáveis pelo cuidado da casa e dos filhos, por manter a harmonia do lar, ainda que também trabalhem em outros empregos)”, ressalta Molise.

DIFERENÇAS QUE NÃO SÃO NATURAIS E SIM SOCIAIS

“Vejamos, portanto, que essas diferenças não são naturais, mas sim construídas socialmente. Com isso, digo que as aprendemos e reproduzimos nas famílias, nas escolas, nos diferentes contextos sociais, inclusive desde antes do nascimento das próprias crianças e os chás de revelação do sexo do bebê, tão populares atualmente, retratam bem este mecanismo”, complementa a psicóloga, a qual enfatiza que essas mudanças precisam ser modificadas pouco a pouco na sociedade.

EXPLORAÇÃO SEXISTA

“Como decorrência de todo este processo, temos a exploração sexista, que pode ser observada, por exemplo, no âmbito do trabalho, em que mulheres trabalham 72% a mais que os homens nas tarefas domésticas (IBGE, 07/03/2018) e recebem remuneração menor em todos os cargos e níveis de escolaridade, chegando a um terço dos valores quando em cargos de chefia (IBGE, 07/03/2018)”, ressalta psicóloga, a qual levanta a bandeira pela igualdade entre homens e mulheres.

CONSEQUÊNCIAS E AGRAVANTES

A psicóloga e mestra avalia que todos esses quesitos de desigualdade citados traduzem o cenário atual de violência e feminicídios. “Como consequência, somos vistas como propriedades dos homens (e isto se revela, por exemplo, na contração do sobrenome do marido após o casamento, que mostra à sociedade a quem aquela determinada mulher pertence); nossos corpos são públicos e, por isto, podem ser tanto violados e quanto assassinados – o que se revela nas elevadas taxas de feminicídio do Brasil; nossa inteligência é questionada a todo o momento. Somos mais interrompidas quando falamos, somos desacreditadas”, complementa.

INÍCIO

O movimento feminista teve seu início durante o século XIX. Uma das maiores influências para o movimento foi a Revolução Francesa e as alterações sociais que começaram a acontecer nesta época. A partir das mudanças trazidas pela Revolução Francesa, as mulheres começaram a tomar consciência das desigualdades.


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