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Crônicas

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

Gavetas não sabem ler

21 de novembro de 2019

Era fevereiro de 2011, eu lia, com muito prazer, um livro de crônicas que ganhara recentemente. Ao terminá-lo, encasquetei que talvez também pudesse escrever naquele mesmo gênero. Iniciava, aí, a minha fase de delírios! A história poderia acabar ali. Nada mais a acrescentar. Só que não foi isso que aconteceu.

Comprei outros livros de diversos autores. Fui percebendo cada estilo e narrativa. Tornei-me uma autodidata dedicada e persistente no propósito de escrever.

Destemida e com uma força de vontade capaz de inquietar até os mais acomodados, segui em frente e sem fazer planos.

Para minha surpresa, escrevi um texto, por dia, durante todo o mês de fevereiro. Era como se a escrita estivesse presa dentro de mim e, naquele momento, ganhou alforria.

Um belo dia, tomei coragem e desengavetei os textos. Tornei-os públicos.

Mais e mais, fui ganhando gosto pela escrita e vi nascer, em mim, uma nova versão. Uma estreia que se somaria a tantas outras que me habitam.

A versão que escreve é um pouco diferente, apesar de ter herdado várias características minhas. Considero que ela é mais leve, mais ousada, sabe lidar melhor com os imprevistos, com o caos do bloqueio criativo e com a chegada repentina dos insights.

Com essa leveza toda, foi abraçando o inesperado e as surpresas que surgiam no caminho. Gosto de vê-la em ação.

Oito anos se passaram desde o momento inquietante em que ela, meio de brincadeira, se pôs a escrever. Apesar das responsabilidades que foram surgindo, à medida que a escrita avançava, nunca perdeu a gaiatice e encara tudo com naturalidade e compara o momento da escrita a uma visita ao parque de diversões.

Este ano, em mais um rompante, decidiu que organizaria alguns textos em um livro. Foi em frente, sacudindo os obstáculos e vendo avançar o seu mais novo desafio. Trouxe para perto de si quem poderia ajudar a transformar o seu delírio em realidade. Questionou, deu de ombros para as adversidades e, de tanto se movimentar, tomar decisões e querer, fez acontecer.

Assim, acaba de nascer “Gavetas não sabem ler” uma coletânea com 80 crônicas, publicadas em jornal, no período de 2011 a 2017, e lançadas em livro de forma independente.

Ela é um dos meus “eus”, mas desconfio que tem vida própria, respira fora do meu corpo, oxigena-se e estende a mão para que eu, muito mais tímida, reclusa e reservada, possa desfrutar do passeio que me proporciona.

É bem possível que essa versão mais fértil em ideias seja capaz de gerar filhos em formato de páginas. Livros, a partir de agora, tornam-se a prole dessa minha porção, compensando o meu relógio biológico que encerrou o seu ciclo.

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