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Voz do Rocio

TEMPO DE CONVERSÃO

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A Festa do Rocio e os nossos aprendizados

A Igreja sempre ensina que estamos em processo contínuo de conversão. Com o passar dos dias vamos mudando e crescendo, aperfeiçoando os nossos conhecimentos, nossos sentimentos e atitudes. O objetivo é sempre nos tornarmos pessoas melhores, de acordo com aquilo que aprendemos de Jesus Cristo como valores fundamentais. Na Quaresma, que é a preparação para a Páscoa, é um tempo assim, de rever alguns aspectos da vida, mudar, melhorar, para celebrar a Ressurreição de Jesus, que também é a nossa ressurreição para uma vida nova em Deus. Na próxima semana já começaremos esse tempo especial de preparação para a Páscoa. A partir da quarta-feira de cinzas serão 40 dias de oração, meditação, mudança de vida.

O período pelo qual estamos passando, atacados ainda por essa Pandemia, também está sendo um tempo de conversão. Muitas formas de pensar e agir estão sendo mudadas, mesmo que de maneira forçada, mas estamos nos reeducando.

Já passamos por momentos bem piores nessa Pandemia. Já fomos controlados pelo “toque de recolher”, com horário definido para sair e para voltar para casa. Já fomos obrigados a manter um rígido distanciamento social, estando proibidas a aglomeração e as atividades coletivas. Festas, nem pensar. Festas de casamentos e aniversários canceladas, mesmo que sonhadas há anos. Realmente foram tempos difíceis, doloridos e exigentes. E tudo isso ainda não acabou. Talvez tenha diminuído, graças aos cuidados que tivemos e graças à Vacinação. Mas ainda hoje cada um é responsável pela saúde do outro. Usar máscara é mais uma preocupação com o outro que comigo mesmo. Quando evito tossir ou espirrar perto das pessoas é uma demonstração de respeito. Quando mantenho os ambientes ventilados e faço higiene pessoal constantemente, estou evitando que o vírus encontre abrigo em mim e nos ambientes por onde circulo.

Isso tudo é conversão. A humanidade está sendo desafiada a pensar na humanidade. Não somos mais “cada um pra si e Deus pra todos” como repetíamos no dito popular. Agora somos todos por todos ou todos pereceremos. Não dá mais pra pensar de modo individual. Nem as pessoas, nem os países, nem os continentes, ninguém mais está isolado. A humanidade inteira está no mesmo barco, que às vezes parece estar à deriva, necessitando apenas da união de todos para reencontrar o caminho. As estratégias políticas, a ciência, a solidariedade, tudo deve ser pensado globalmente. É a humanidade que precisa se reencontrar, independente de cor, raça ou religião. Que Deus nos ilumine a todos nesse processo de conversão globalizada. E que no fim de tudo isso, possamos todos ser pessoas melhores, para construirmos, enfim, um mundo diferente. Que os olhares deixem de ser apenas de um “eu” egoísta e possessivo, para um “nós” inclusivo, respeitoso e fraterno. Mudar (converter-se) exige persistência e paciência. Deus abençoe você. E Nossa Senhora do Rocio te proteja contra toda tentação de desistir. Grande abraço. Boa preparação para a Quaresma que logo começa.

Pe. Dirson Gonçalves, CSsR

Reitor do Santuário

[email protected]

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