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Semeando Esperança

Coerência e Fidelidade

“Pula a fogueira, iaiá. Pula a fogueira, ioiô”. Os tradicionais festejos juninos estão entre aquelas coisas boas que nos enchem de saudades nesse momento de pandemia.

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“Pula a fogueira, iaiá. Pula a fogueira, ioiô”. Os tradicionais festejos juninos estão entre aquelas coisas boas que nos enchem de saudades nesse momento de pandemia. Fogueiras, quadrilhas, comidas, música e muita alegria! Essa tradição popular tão viva e expressiva foi ocultada por um vírus, uma criaturazinha difícil de se ver, mas fácil de ser percebida em sua ação devastadora. Passamos também o mês de junho ocupados em combater o avanço do novo coronavírus. Mas, aqueles que lutam aquecem o coração com sonhos! Esperamos vencer passo a passo o “contágio” desse vírus e, então, no próximo ano sermos novamente “contagiados” pelos passos da dança e da festa.

Esse modo de combater à luz da esperança precisa de reforço, de alimento. E podemos nutri-lo, por exemplo, com o testemunho de vida dos grandes personagens juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro. Para além dos mastros e bandeiras que ostentam suas imagens, eles podem inspirar atitudes a serem fortalecidas ou recuperadas, tais como a coerência e a fidelidade. Santo Antônio, batizado como Fernando, em Lisboa, coerente com sua vocação missionária, gastou sua vida pregando o Evangelho. Dedicou-se ao anúncio de Cristo até o fim, morrendo em Pádua, aos 36 anos. São João, o Batista, a “voz” que clama no deserto, viveu preparando o caminho do Senhor, convocando o povo à conversão. Sua coerência de vida levou-o a dizer a verdade, inclusive quando sua vida estava em jogo. De fato, por causa de sua fidelidade à missão, denunciando a infidelidade de Herodes, ele foi decapitado. São Pedro – que recebeu a missão de ser pedra, sobre a qual Jesus mesmo edificaria a sua Igreja –, discípulo autêntico, marcado por altos e baixos, quedas e recomeços, demonstrou seu amor e fidelidade a Cristo até a morte: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17). Coerentes com o que acreditavam e pregavam os três mostraram-se fiéis a Jesus Cristo até o fim de suas vidas. Antônio morreu extenuado pela missão. João Batista, degolado. Pedro, crucificado. Mas seus nomes estão entre os daquelas pessoas que a humanidade honra e festeja!

Por isso, creio que seja importante nos perguntar: somos coerentes e nos mostramos fiéis como esses grandes homens? Uma vez que a palavra coerência – do latim cohaerentia – tem a ver comcoesão e conexão, é coerente a pessoa que age de acordo com o que acredita e fala. É coerente, por exemplo, quem fala sobre respeito às pessoas e no dia a dia é gentil com os demais, tolerante com eles, valoriza suas capacidades, aceita suas fragilidades. Caso contrário é uma pessoa incoerente. Na dimensão da fé, os profetas não pouparam o povo em suas incoerências: “Esse povo se aproxima de mim só com palavras, e somente com os lábios me glorifica, enquanto o seu coração está longe de mim. O culto que me prestam é tradição humana e rotina” (Is 29,13). Apresentar-se, pois, como cristão, mas levar uma vida contrário ao Evangelho é incoerência. A vida de fé requer um caminho de conversão para vencer a incoerência e alcançar, pacientemente, a coerência entre fé e vida, entre o louvor e as obras.

Enfim, a coerência de vida precisa mostrar-se, inclusive, no empenho em assumir as medidas preventivas contra o avanço da Covid-19, em respeitar os profissionais comprometidos com a pesquisa científica e os testes ou com os cuidados dos infectados, bem como aqueles que estão saindo cada dia para garantir os outros trabalhos essenciais à sociedade.