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Paraná Empreendedor

Que falta faz a formação técnica para o desenvolvimento

Passou a hora de se rever o planejamento e a estratégia educacional do Paraná. Precisamos de um modelo de ensino técnico atrativo para o jovem, capaz de aumentar a oferta de mão de obra qualificada

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Um dos dilemas de jovens e suas famílias é o caminho a trilhar após o Ensino Médio. No Brasil e países latinos, herdamos a cultura do caminho universitário, que leva boa parte dos jovens a receber uma formação que tem foco quase exclusivo na aprovação em um vestibular.

Esse enfoque prioriza conhecimentos acadêmicos que em geral são pouco absorvidos, uma vez atingido o objetivo. Mesmo com o aumento do número de instituições universitárias no país, iniciar os estudos e graduar-se ainda é um feito para poucos. E os que se formam, encaram um mercado extremamente competitivo, que muitas vezes força-os a preencher posições e oportunidades que não condizem com as próprias expectativas, nem às do mercado, mesmo sendo sobre-qualificados.

Não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Experiências de outros países mostram oportunidades. É o caso do Canadá, que buscou influências externas para aprimorar o sistema de formação profissional. Em 1960, apenas 9,2% da população canadense entre 20 e 24 anos estava matriculada em nível superior. Os graduandos tinham enfoque acadêmico e de pesquisa, não atendendo ao empresariado, que necessitava de trabalhadores com formação mais técnica e pronta para o mercado de trabalho. Por fim, os graduados se estabeleciam nos grandes centros, o que não contribuía com os objetivos dos governos de expandir o desenvolvimento em um país de proporções continentais.

Na mesma década foram criados sistemas de institutos politécnicos, chamados de “colleges”, destinados a qualificar trabalhadores para o mercado de trabalho. O sistema firmado por meio de parcerias entre o setor público e o privado criou institutos politécnicos para atender especificamente às demandas locais e fomentar o desenvolvimento regional.

Com a sinergia entre indústria, instituições de ensino e governos locais, são feitas pesquisas de mercado e projeções econômicas para determinar as necessidades regionais e preencher o déficit de habilidades e de pessoal necessário ao desenvolvimento. Exemplos de sucesso de parcerias entre montadoras de veículos e líderes em tecnologia e manufatura avançada são vastos.

Passou a hora de se rever o planejamento e a estratégia educacional do Paraná. Precisamos de um modelo de ensino técnico atrativo para o jovem, capaz de aumentar a oferta de mão de obra qualificada e de reduzir a evasão escolar.

Essas medidas iniciadas há 55 anos resultaram em institutos localizados nas mais diversas áreas do país que formam milhares de técnicos com percentuais de aproximadamente 90% de empregabilidade em até três meses da graduação e percentual similar de satisfação dos empregadores. Desse modo, os institutos politécnicos são ferramentas essenciais de consolidação das políticas públicas de desenvolvimento regional e sólidos instrumentos de formação e ascensão social.

Passou a hora de revermos o planejamento e estratégia educacional do Paraná.

Talvez, se tivéssemos mais atenção ao ensino técnico, não houvesse tanta evasão escolar, tantos jovens sem perspectiva e tanta falta de mão-de-obra qualificada.

Isso é pauta de Desenvolvimento Econômico.

Destaca-se no Paraná, o trabalho do sistema “S”, na formação técnica, notadamente o SENAI, SENAC E SENAR.

*Colaboração: Fernando Gama de Oliveira – Gerente Sênior, Desenvolvimento de Negócios Globais – Niagara College – Canada

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