Profª Lúcia Helena Freitas da Rocha
Há datas que sobrevivem ao calendário porque carregam uma memória que não se deixa apagar pelo tempo. O dia 13 de dezembro, data de nascimento do Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, Patrono da Marinha do Brasil, é uma dessas datas. Não é apenas uma homenagem a um homem, é um tributo à fibra de todos os que, ontem e hoje, vestem o uniforme naval e fazem do mar uma estrada e uma missão.
Em 13 de dezembro saudamos nossos Marinheiros e Fuzileiros Navais que, permeados pelo patriotismo e honra, valores deixados como legado por Tamandaré, nosso maior marinheiro, lutam diariamente para proteger os interesses dos brasileiros e pela nossa liberdade. Que o orgulho de lutar pela pátria esteja sempre presente no espírito marinheiro de cada um de nós!
Em 2025, o Dia do Marinheiro celebra os 100 anos da portaria que instituiu oficialmente a data, marco que consolida uma tradição centenária e mantém vivos os valores que moldam a vida marinheira desde o início do século XX.
Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, Patrono da Marinha do Brasil é símbolo de bravura, lealdade e dedicação à Pátria. Além de Patrono da Marinha, Tamandaré é reconhecido como um dos grandes estrategistas navais da história brasileira, com atuação decisiva em conflitos que contribuíram para a consolidação da soberania nacional, especialmente na Guerra do Paraguai.
Seu legado de liderança, coragem e compromisso com o país permanece como referência para os marinheiros de hoje, que encontram em sua trajetória os mesmos valores que continuam norteando a formação e a atuação da Força Naval.
Todavia, o heroísmo de ontem não esvazia a importância do serviço de hoje. A vida marinheira continua feita de desafios silenciosos, longe dos holofotes. Navegadores que passam semanas embarcados para proteger a Amazônia Azul; fuzileiros navais que atuam em missões humanitárias; equipes de salvamento que enfrentam mar revolto para socorrer desconhecidos; cientistas navais que estudam as correntes, o clima, as riquezas do oceano. Homens e mulheres que, no cotidiano, mantêm viva a vocação de Tamandaré: servir ao Brasil.
Em tempos de incerteza, geopolítica, ambiental, tecnológica, o trabalho da Marinha ganha novos contornos. Proteger o mar é proteger energia, comércio, biodiversidade, soberania. E, talvez por isso, o Dia do Marinheiro não seja apenas uma efeméride militar: é uma oportunidade de reconhecer a dimensão estratégica do oceano para a vida nacional.
Neste 13 de dezembro, lembrar Tamandaré é lembrar que coragem não é ausência de medo, mas compromisso com a missão. É celebrar aqueles que enfrentam ondas, distâncias e riscos para que o Brasil permaneça seguro. É agradecer, com a reverência que se deve aos gigantes, aos milhares de marinheiros e marinheiras que mantêm a tradição de honra do Patrono da Marinha, porque, como ouvi certa vez de um marinheiro, “Quando a Pátria estiver em perigo, todos devem lutar: os militares com as armas, os civis com o coração.”





