Se eu gosto de futebol? A resposta é NÃO, assim mesmo em caixa alta, para demonstrar a ênfase na negativa.
Sobre o esporte tão aclamado, sei apenas o básico: cada time possui onze jogadores; desses, dez atuam na linha, e um é o goleiro. O cartão amarelo serve como advertência formal, e o vermelho, para expulsão. Fico por aqui. Não ouse me perguntar o que é o impedimento ou qual é a função de cada atleta em campo.
Aliás, o meu nível de conhecimento só foi diminuindo com o passar dos anos. Houve uma época em que eu sabia o nome de alguns ─ eu disse alguns ─ jogadores da nossa seleção, e meu cérebro era capaz de associar cada nome ao respectivo rosto. Lado a lado, na tradicional postura para cantar o Hino Nacional, pude citar, na Copa de 1994, quando conquistamos o tetracampeonato: Taffarel, Branco, Leonardo, Dunga, Raí, Romário e Bebeto. Todos sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira.
Já em 2002, ano do nosso pentacampeonato, eu reconhecia Dida, Cafu, Roberto Carlos, Lúcio, Ricardinho, Vampeta, Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Denílson. A equipe era comandada por Luiz Felipe Scolari. Como se vê, naquela ocasião, quase gabaritei.
Imagino, caro(a) leitor(a), que, pelo fato de eu ter mencionado duas Copas nos parágrafos anteriores, tenha deduzido que só me entrego aos prazeres futebolísticos de quatro em quatro anos.
Então, no sábado, dia 13 de junho, impulsionada pelo convite de amigos, eu e meu marido nos juntamos ao grupo e fomos assistir ao jogo entre Brasil e Marrocos em um local público.
Vesti uma camiseta amarela com detalhes em verde e azul, além do nome do país estampado no peito. Caprichei na maquiagem dos olhos, no glitter e nas pedrinhas de strass. Estava pronta para torcer.
Quando a seleção entrou em campo, pensei: Quem é essa gente? Não conhecia ninguém, exceto Neymar (que não jogou) e Vini Júnior, cuja existência só descobri meses atrás por conta do relacionamento com Virgínia. Os demais eu nunca tinha visto na vida. Também fiquei sabendo que o técnico não é brasileiro. Trata-se do italiano Carlo Ancelotti. Sempre é possível aprender algo novo.
Bola rolando e volta e meia eu me dispersava, tentando fazer mentalmente a lista de compras do supermercado, olhando alguma publicação no Instagram e, lá pelas tantas, imaginando que deveria ter ficado em casa para terminar o delicioso livro de crônicas de Maitê Proença, intitulado “Entre ossos e a escrita”.
Gooooooolllllllll!
Do Marrocos.
Ninguém arredou o pé, mas a expressão das pessoas mudou. Aquela sensação de desânimo, misturada ao desespero, à angústia e a uma boa dose de palavrões, temperou o ambiente até que:
Gooooooooooooollllllllllllllllllllllllllllllllllllllll!
Do Brasil.
De quem foi a façanha? Vini Júnior.
Pois bem. A estreia do Brasil terminou em empate: 1 x 1. Dizem os entendidos no assunto que nossa seleção jogou mal. Eu, claro, não sou a pessoa mais indicada para emitir uma opinião. Mas se toda essa experiência me rende uma crônica, já fico feliz da vida.





