Confesso que ando incomodada com o excesso de estrangeirismos que tenho ouvido em reuniões, conversas cotidianas e postagens nas redes sociais.
Não é de hoje que vocábulos vindos de outros idiomas, principalmente do inglês, são incorporados ao nosso dia a dia, e muita gente acaba preferindo determinadas expressões mesmo quando já existem equivalentes em português.
Nem estou falando de casos como shopping, mouse, abajur e outros termos já assimilados que, inclusive, fazem parte do VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Refiro-me ao exagero que chega a beirar um exibicionismo gratuito.
Observe que não existe necessidade alguma de dizer: “Vamos fazer uma call.” Da mesma forma: “Preciso terminar esse relatório hoje, porque o deadline é amanhã pela manhã.”
Por qual motivo usar briefing se, dependendo do contexto, é perfeitamente possível optar por alternativas como instrução, orientação, resumo, diretriz, alinhamento ou contextualização?
Enquanto isso, em determinado departamento, mais um encontro começa com um brainstorming para o próximo projeto. Traduzindo: troca de ideias ou busca por soluções inovadoras.
Veja que interessante: “Reserve a data” ou “salve a data” substituem perfeitamente save the date.
A verdade é que os estrangeirismos já ultrapassaram o vocabulário profissional. Nem os relacionamentos escapam. Os casais não saem mais para um encontro. Agora, vão para um date.
Esqueça os termos bicicleta e roupa. O que se fala e se escreve é: “Vamos dar uma volta de bike?” ou “Gostou do meu look?”
Se alguém realizou certa atividade, muito provavelmente espera receber um feedback. Jamais um retorno.
“Já fez seu skincare hoje?” Trocar pela expressão “cuidado com a pele” talvez não provoque o mesmo efeito dermatológico.
“Vocês trabalham com delivery?” Praticamente uma afronta usar a palavra entrega.
“Seu estabelecimento possui espaço pet friendly?” Você consegue pronunciar corretamente? Caso não, pode recorrer a “acolhimento para animais”.
Algumas embalagens de produtos também não ficam atrás. É mais fácil ganhar na Mega-Sena do que encontrar um frasco de xampu escrito assim, com a forma aportuguesada. As marcas continuam dando preferência a shampoo.
Eu sei, você pode argumentar que a língua é viva e que variações são aceitáveis. Concordo. Inclusive, é possível utilizar sinônimos dentro do próprio português sem precisar importar termos estrangeiros a todo instante.
Preferir palavras vindas de fora a valorizar o idioma pátrio não representa dinamismo linguístico. Muito pelo contrário: pode ser uma maneira silenciosa de enfraquecer aquilo que ainda preservamos como identidade na comunicação.





