Crônicas

Respeite o prêmio do outro

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Kátia Muniz

Kátia Muniz

Por: Kátia Muniz

O Oscar, considerado o principal prêmio do cinema mundial, ocorreu no dia 2 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos. 

Aqui no Brasil, em pleno domingo de carnaval, muitos deixaram a folia de lado e se dedicaram a torcer pelo filme brasileiro Ainda Estou Aqui, que concorreu em três categorias, e foi dirigido pelo cineasta Walter Salles. São elas:  melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz, esta última com destaque para Fernanda Torres.

Aliás, nada me chamou mais a atenção do que a postura comportamental de Fernanda Torres durante toda a campanha internacional que antecedeu a cerimônia do Oscar.

Com a agenda repleta de compromissos, ela compareceu a todos esbanjando simpatia e carisma. Além disso, mostrou-se solícita, educada e bem-humorada, inclusive arrancando elogios por seu domínio da língua inglesa. Entretanto, outro ponto ficou evidente: o amadurecimento.

Fernanda não parecia deslumbrada. Entrava e saía das entrevistas, conduzidas por renomados apresentadores, comportando-se de maneira profissional e sem deixar de transmitir leveza e humildade. 

No tapete vermelho, surgiu esplêndida com um vestido longo preto da Chanel, posando para os fotógrafos e, em alguns momentos, sacudindo a saia com plumas, como uma criança feliz. Era inegável: ela estava se divertindo.

No transcorrer do evento, o anúncio de melhor filme internacional para Ainda Estou Aqui fez o Brasil explodir em vibração. Daí em diante, as expectativas aumentaram. Porém, a estatueta de melhor atriz foi para as mãos de Mikey Madison, protagonista do filme Anora.

Em vários vídeos espalhados pela internet, é possível ver Fernanda Torres cumprimentando a ganhadora e demonstrando seu reconhecimento pelo prêmio. Em entrevista, ainda solicitou aos brasileiros: “Mandem só amor para Mikey Madison.” 

Todavia, inúmeras pessoas não deram ouvidos ao pedido. Pelo contrário, invadiram as redes sociais com o intuito de disparar ofensas contra a vencedora.  

É estarrecedor presenciar essa onda de ódio que toma conta dos indivíduos. A atitude chega a lembrar a de uma criança que, ao não conseguir ganhar um jogo, faz birra ou fica emburrada em um canto. Talvez muitos sequer tenham assistido ao filme ou observado a atuação da personagem; apenas engrossam o coro e atiçam ainda mais a fogueira. Dessa forma, mostram-se ótimos em apontar o dedo sem qualquer embasamento. Há também aqueles que assistiram ao longa e, por não concordarem com a premiação, sentiram-se no direito de expor sua opinião de modo nada educado. 

É natural que a sensação de perder cause incômodo e frustração, mas isso não pode, em hipótese alguma, servir de trampolim para debochar, achincalhar e menosprezar o trabalho da outra profissional. Aliás, quem costuma atacar diz mais sobre si do que sobre o outro.

Não consegue controlar a sua impulsividade febril? Deveria. Afinal, há motivos para comemorar. O cinema brasileiro está em destaque no exterior, ganhamos visibilidade e, pela primeira vez na história, trouxemos para casa a premiação de melhor filme internacional. Portanto, não permita que sua ira cresça a ponto de impedir que você enxergue a grandeza de uma vitória. 


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Kátia Muniz

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

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