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Crônicas

Homenagens póstumas

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coluna crônicas

Datas comemorativas costumam garantir temas para os cronistas e, com a proximidade do Dia de Finados, comecei a refletir sobre homenagem póstuma.  Distinção concedida àqueles que, de algum modo, se notabilizaram, fizeram algo de relevante para a sociedade ou imprimiram a sua marca em algum feito. 

Os homenageados podem ser agraciados com bustos; nomes de rua, escola, teatro e/ou praça; filmes; livros; etc. Exemplos não faltam. 

Em vida, cabem outras homenagens, como: votos de congratulações, honra ao mérito ou quaisquer outras formas de felicitações pelas realizações importantes.

Tudo certo, tudo lindo, mas ainda assim sou tomada por um incômodo quando penso na possibilidade de o reconhecimento não acontecer em vida, somente depois com a homenagem póstuma e, na maioria das vezes, nem isso.

Ponho-me a pensar como essas pessoas ficariam felizes com a consideração, com o gesto, com o ritual que inclui tanto tornar-se ciente dessa consagração quanto receber o convite para comparecer a uma solenidade em sua homenagem ou qualquer outro ato que demonstre esse reconhecimento. 

Sendo eu, uma fervorosa defensora dessa demonstração dos sentimentos, acredito que em vida tudo fica mais divertido. 

Imagino que as pessoas homenageadas queiram dar vazão às suas emoções, escutar os discursos e preparar o próprio, sentir o perfume das flores recebidas, ouvir os aplausos, distribuir abraços, escolher o melhor lugar para pendurar diplomas, medalhas, prêmios, troféus ou qualquer outro agraciamento, seja ele pomposo ou singelo.

É possível que queiram ter a sensação do coração explodindo no peito ao ouvir o próprio nome ser mencionado por quem conduz a cerimônia, frio na barriga, euforia registrada no semblante e tudo que de melhor possa transbordar em um momento tão especial. 

Que em vida sejam ofertados votos e felicitações, expressões de ternura, telefonemas inesperados, mensagens carregadas de carinho, intensidade de afeto. 

Homenagens póstumas são bem-vindas, claro, mas muitas vezes funcionam como reparação a uma falha que poderia ter sido executada quando a pessoa ainda estava entre nós. Isso é sempre uma pena, pois as emoções que poderiam ter sido externadas, seguem sepultadas.

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