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Cidadania e Segurança

Em briga de marido e mulher a gente mete a colher, sim

Não fosse a condição do agressor, um famoso DJ de Fortaleza, as imagens não ganhariam tamanho alcance.

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Coluna Francischini

O domingo terminou com uma explosão de violência doméstica nas redes sociais. Cenas fortes e muito reais de agressões dentro de quatro paredes, reveladas por uma vítima que teve coragem de denunciar o crime.

Não fosse a condição do agressor, um famoso DJ de Fortaleza, as imagens não ganhariam tamanho alcance numa sociedade que se cala diante da violência contra a mulher.
Os vídeos são chocantes. A crueldade aconteceu na frente da filha de 9 meses e de testemunhas que se calaram. Cúmplices do marginal, que agora vão responder à Justiça. Um boletim de ocorrência foi registrado dias antes pela ex-mulher e o machão de cozinha já é investigado pela polícia.
Diante da repercussão, o agressor tentou desqualificar os vídeos, pedindo à Justiça a retirada das imagens do ar e o impedimento da ex-mulher de prestar declarações à imprensa. A juíza responsável pelo caso negou o “apelo”, afirmando que a vítima tem o direito de expressão.
Não bastasse tudo o que vimos estarrecidos, um dia depois da divulgação dos vídeos, novas denúncias começaram a aparecer. Pessoas ligadas ao DJ, especialmente mulheres, relataram à imprensa um comportamento agressivo e arrogante com produtores, compositores e equipe e a rotina de violência contra a ex-mulher.
Um caso que por muito pouco não teve um final ainda mais trágico. A violência doméstica tende a se agravar com a submissão da vítima e, em diversos casos, pode terminar em feminicídio.

Conscientização

Aquela história de “não é comigo, não vou me envolver” e “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” que ao longo de décadas oprimiu mulheres e se naturalizou na sociedade, muito vagarosamente começa a mudar.
Leis mais rígidas contribuem para uma nova mentalidade e dão força para mulheres que vivem essa atrocidade. Falta, agora, ATITUDE da sociedade.
A conscientização da família, dos filhos, dos vizinhos, dos colegas de trabalho, das pessoas que presenciam este tipo de violência, é imprescindível. O dever de denunciar, a responsabilidade de não deixar que estas situações – que para muitos parecem sem importância-, se transformem em casos mais graves e culminem na morte da vítima.
A Lei Maria da Penha foi um marco na defesa das mulheres ao qualificar a violência doméstica como crime, determinar a punição do agressor e ampliar medidas protetivas.
Outra contribuição significativa foi a criação de novos canais de denúncia. Hoje são muitas as formas que as mulheres têm ao alcance para registrar a ocorrência. Mesmo assim, ainda é preciso a ampla divulgação destas ferramentas e muitas e muitas campanhas de conscientização. Isso porque as vítimas só assumirão a coragem libertadora do relacionamento abusivo quando tiverem a certeza de que estarão protegidas. Aqui no Paraná uma lei de minha autoria é outra ferramenta importante para conter essa pandemia de selvageria. A Lei dos Condomínios foi sancionada no ano passado e tem, gradativamente, atingido seus objetivos. Ela determina que casos ou indícios de violência contra mulheres, crianças e idosos devem, obrigatoriamente, ser denunciados aos órgãos competentes.
Tenho muito orgulho desta lei e como ela pode ajudar a reduzir os índices de violência dentro dos lares paranaenses.
Eu desprezo qualquer tipo de violência contra mulheres. Sou um defensor radical de penas mais duras para os agressores. Eles nunca param, só ficam mais violentos.

Cadeia sem dó

Não podemos fechar os olhos ou ser coniventes com esses crimes. São atos de extrema covardia com danos a curto e longo prazo, seja físico ou mental.
Não se cale e denuncie. É urgente que coloquemos esses monstros onde devem e merecem estar.

Foto: Internet

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