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Centro de Letras

Revolta no Parque

Apesar de aterrada, urbanizada e com prédios públicos, comércios e moradias ao redor, a Praça João Gualberto permaneceu vazia durante um período

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Apesar de aterrada, urbanizada e com prédios públicos, comércios e moradias ao redor, a Praça João Gualberto permaneceu vazia durante um período. Por conta disso não era incomum a instalação de circos em seu território. Aparentemente os parques que visitavam a cidade também se instalavam lá, como em 1934, quando ela foi ocupada pelo “Parque Mila – espécie de Luna Parque –, com dois carrosséis, jogo de bola e tiro no alvo, uma radio e vários pavilhões” com roletas e rifas de prêmios. Segundo um jornal: “era a jogatina habilmente mascarada” atraindo principalmente as mulheres (ingênuas e seduzidas pela ideia de ganharem estatuetas, bijuterias e outros supérfluos que poderiam comprar por um valor mais baixo daquele que perdiam no parque). Mas não eram somente elas e mesmo com a crise econômica o “parque enchia todas as noites” e os parnanguaras não hesitavam em deixar seu “rico dinheirinho” nos pavilhões.

Certa noite, após uma acirrada discussão, um empregado do parque e um “expraça da Força Militar” entraram em conflito. O funcionário argumentou ter recebido uma paulada e reagido em legítima defesa. Acontece que ele puxou uma faca e atingiu o oponente diretamente no coração, matando o homem instantaneamente. 

A população indignada tentou capturar o assassino, mas o diretor do parque escondeu o empregado e tentava acalmar os populares afirmando se responsabilizar pelo crime, “como se a lei assim permitisse”. Além disso, os pavilhões continuaram funcionando como se nada tivesse acontecido e isso enfureceu ainda mais os parnanguaras. Tomados pela ira coletiva e contrariando a fama de pacatos, os cidadãos perderam a cabeça e decidiram fazer justiça com as próprias mãos. Descontrolados pela raiva e inconformados com a covardia contra seu conterrâneo, os parnanguaras atacaram o parque (continua).

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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