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Cidade Pacata

Quando olhamos mais de perto, podemos perceber que a fama de cidade pacata é mais um ideal do que realidade.

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Cidade Pacata

Quando olhamos mais de perto, podemos perceber que a fama de cidade pacata é mais um ideal do que realidade. Mesmo após 30, quando o Estado ganhou mais força e teoricamente era complicado ser oposição, ainda havia espaço para disputas políticas e críticas ao prefeito, mesmo ele recebendo apoio do governador Manoel Ribas. O descontentamento da população com o chefe do Executivo era tão grande que durante uma visita do governador, quando ambos passeavam pela cidade, praticamente ninguém saiu para cumprimenta-los. Apesar das críticas, Manoel Ribas manteve Tovar no cargo.

Não temos maiores detalhes, mas sabemos que em outubro de 1933 um jornal curitibano afirmou que o advogado Roberto Barroso, maior crítico de Tovar, teria sido preso. Infelizmente não possuímos mais informações, entretanto o advogado parece não ter desistido de sua batalha, pois em novembro existe a notícia sobre ele estar com todas as provas necessárias para denunciar o prefeito por fraude eleitoral.

Outro motivo de discórdia na cidade era a empresa privada de energia elétrica. Protegida pelo contrato original de 1909, ela não foi estatizada, não melhorou sua prestação de serviços e muito menos reduziu o valor da tarifa. Naquele momento de fortalecimento do Estado, a empresa privada era um inimigo em comum para ricos e pobres. A vontade popular, baseada nas promessas de melhoria se o governo assumisse, era a encampação da empresa de eletricidade. Principalmente porque a população sofria com o descaso da companhia desde o início da prestação de serviço.

Além das rivalidades políticas e brigas com a empresa de eletricidade, também existiam momentos conturbados entre os populares. No início de 1934, em uma festa na Praça João Gualberto, ocorreu uma briga entre um parnanguara e o empregado do parque, resultando em morte por facada. 

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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