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Centro de Letras

Contexto versus Padronização

A diversidade de comportamentos desviantes do modelo defendido pelos poderes reguladores

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A diversidade de comportamentos desviantes do modelo defendido pelos poderes reguladores, ou seja, pelo governo e pelos formadores de opinião, através da moral religiosa e da ciência, deixa evidente como era conflituosa a relação de forças entre a dinâmica social e as tentativas de normatização.

De cima para baixo, existia a pressão das normas tentando direcionar os cidadãos a certos padrões comportamentais, visando um tipo específico de família formada por crianças, mulheres e homens saudáveis, sem vícios, patrióticos, honrados e trabalhadores, que seguissem as regras sem contestação alguma. Entretanto, de baixo para cima, a pressão das condições de vida dos mais pobres criava uma diversidade que de modo involuntário resistia à padronização burguesa.

Não que fosse uma resistência deliberada, com as pessoas agindo contra a norma por vontade própria, por renegarem ao modelo burguês de família, por desejarem ser livres ou algo assim. Parece mais a dura realidade do dia-a-dia das camadas populares impossibilitando os mais pobres de seguirem o padrão normativo imposto constantemente, inclusive com leis e opressão policial.

Certamente as pessoas menos favorecidas sentiam a pressão da regulamentação, mas mesmo que desejassem seguir os padrões burgueses, tais modelos na verdade não foram feitos para eles, pois exigiam condições de vida totalmente diferentes e melhores. A padronização desconsiderava a realidade econômica, cultural e social das camadas mais populares, como se isso não fosse um empecilho, como se seguir o modelo dependesse apenas da vontade dos indivíduos e o contexto não tivesse nenhuma relação com os comportamentos dos cidadãos. Provavelmente por isso o projeto padronizador moderno não deu muito certo, pois o sistema político e econômico cobrava uma padronização comportamental sem propiciar condições de vida similares entre os cidadãos. Muito menos entre homens e mulheres.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana.

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