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Centro de Letras

Mais violência masculina

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Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

O casamento não era regra geral entre as mulheres mais pobres, pois encontramos diversos casos de homens e mulheres apenas morando junto, amasiados. Mas a violência contra elas também estava presente nestes relacionamentos. 

Em janeiro de 1914, Emilia, amasiada de Sebastião, cansou das “brutalidades” e abandonou o companheiro, que não aceitou e foi atrás dela, “alucinado”, com uma pistola e a companhia do Manoel Gato e do Manteiga. Afirmando estar em nome do delegado, bateu de porta em porta “aggredindo a todos que encontrava” até chegar à casa “de uma pobre velhinha” onde Emilia deixara “sua mala”. Os três “maltrataram brutalmente” a senhora e fulgiram. 

Nem mesmo morar com um homem garantia segurança contra o ataque de outros. Laudemiro, “desordeiro contumaz, valentão e provocador”, invadiu a casa na qual Cecília morava com seu amasiado Sebastião e atacou a mulher “com um grande punhal”. Depois avançou sobre o Sebastião, houve briga e o agressor fugiu. 

No mês de junho, um caso nos mostra a variedade nos relacionamentos e mais violência. Eugenia era amasiada de Nestor e quando este morreu, convidou o compadre Pedro, a comadre e os filhos destes para dividirem a ocupação do imóvel. Por um tempo funcionou, mas o homem passou a tentar conquistar a comadre, “gerando o ciúme entre esta e sua mulher”. Certa noite, depois que os três foram ao baile, ele deixou as mulheres em casa e voltou pra rua beber. Totalmente embriagado, armado com uma faca, voltou e tentou estuprar a comadre, que resistiu e foi mortalmente ferida, ficando “semi nua, toda descabellada, roupas da cama revoltas, n’uma poça de sangue”. A esposa correu para tentar ajudar a comadre e também foi esfaqueada pelo companheiro, “indo cahir […] no quintal”.

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