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Centro de Letras

Mulheres Pobres

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Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

Entre o ideal de mulher defendido pelos formadores de opinião e a prostituição, havia uma diversidade de comportamentos femininos deixando claro que a sociedade era muito mais complexa do que os poderes reguladores gostariam que fosse. Distantes do modelo burguês e patriarcal de família e mulher, encontramos variadas formas de organizações familiares nas práticas sociais de Paranaguá. Todavia, não obstante esta multiplicidade, um elemento comum se destaca nessas pequenas histórias: a violência contra a mulher. 

Nas notas jornalísticas localizadas, aparecem formas variadas de violência contra as mulheres pobres de Paranaguá. Se por um lado, ter um homem como companheiro não garantia segurança e uma vida boa, quando as mulheres moravam sozinhas podiam ficar bastante vulneráveis. Como exemplo disso, temos um grave atentado ocorrido em fevereiro de 1913, quando “três desordeiros atacaram a dona de uma casa à margem da Estrada de Ferro” e armados de pistola tentaram arrastá-la para o mato, só não conseguindo porque “diversas pessoas […] attenderam os gritos da viticma”. Não tenho os detalhes da localização dessa casa, mas vale comentar que atrás da antiga estação, na Rua Isabel, havia uma intensa atividade noturna com bebedeiras, jogatinas e prostituição, aparentemente sendo um local sem muito policiamento.  

Naquela sociedade patriarcal, obviamente não era fácil para uma mulher se sustentar, principalmente se tivesse filhos para cuidar e alimentar. Ao final de 1913, uma mãe estava devendo três meses de aluguel ao senhor Annibal Paiva. Sem condições de quitar sua dívida, acabou “coagida violentamente” pelo proprietário e obrigada “a por seus trastes na rua”. Ela, suas “três esfarrapadas criancinhas” e seus pertences permaneceram na via pública até o fim do dia, quando começou a chover. Nesse momento, “um vizinhho, compassivo” deu abrigo à mulher e aos filhos.

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