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Caetano

Apesar do crescimento de Paranaguá e das transformações urbanas resultantes do desenvolvimento portuário na antiga região do Porto D’Água,

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Apesar do crescimento de Paranaguá e das transformações urbanas resultantes do desenvolvimento portuário na antiga região do Porto D’Água, isto aconteceu em ritmo lento (como ocorreu com a transferência da Alfândega, que demorou quase dez anos). Era uma dura batalha entre o novo e o velho, entre uma sociedade chegando e outra resistindo ao desaparecimento. Pouco a pouco, o progresso avançou sobre a cidade antiga, não apenas alterando o espaço urbano existente, mas também urbanizando novas áreas, como a pantanosa região da futura Praça João Gualberto. 

Uma figura importante nesta guerra entre a velha e a nova Paranaguá, foi Caetano Munhoz da Rocha. Nascido em uma família de posses, estudou Medicina na Capital Rio de Janeiro. Seu retorno após a formatura virou notícia no principal jornal do Estado, “A República”, inclusive parabenizando os pais do jovem doutor Caetano, que instalaria um consultório em Paranaguá. Em 1905, candidatou-se a Deputado e, após eleito, passou a morar em Curitiba. 

Quando era o vice-presidente do Congresso Estadual, visitou Paranaguá em fevereiro de 1908, sendo recebido com festa, banquete e muitas honrarias. Naquele importante momento político, pica-paus e maragatos encerravam o longo período de rivalidade – resultante da Revolução Federalista de 1894 – e criavam a Coligação Republicana. Na casa de Caetano, 87 homens escolheram dois coronéis, dois tenentes, um major e um capitão para formarem o diretório municipal da Coligação. Simbolicamente, elegeram Caetano como presidente. Quatro meses depois, com festa na Praça Fernando Amaro, Caetano Munhoz da Rocha tornou-se prefeito de Paranaguá. Não era um militar ligado ao antigo governo imperial, como seus antecessores, e sua gestão, fundamentada no discurso científico da época, resultou em melhorias muito importantes na cidade. Por conta disso, ao final de seu mandato, recebeu diversas honrarias. 

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana