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Centro de Letras

Praça Devoluta – parte 3

O escandaloso caso da “venda da Praça João Gualberto” alcançou proporções muito maiores do que os investigadores poderiam imaginar quando tudo isso começou

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O escandaloso caso da “venda da Praça João Gualberto” alcançou proporções muito maiores do que os investigadores poderiam imaginar quando tudo isso começou. Aquilo que parecia ter sido apenas um equívoco ou no máximo uma ação isolada de um funcionário mal-intencionado, aparentemente revelou uma ampla organização envolvendo “políticos e pessoas de destaque” do Paraná. 

Segundo matéria do jornal “Última Hora” de 07 de Dezembro de 1961, o inquérito na Polinter estava sob a responsabilidade do delegado Miguel Zacarias e seu relatório definitivo deveria ser entregue ainda naquela semana. Infelizmente, não localizamos a conclusão das investigações sobre a “negociata”, mas o inquérito citava o nome de três deputados: José Vaz de Carvalho, Jorge Maia e Raul Gandara (o último tivera até o mandato cassado). Quanto aos outros dois, o delegado solicitou à Assembleia o comparecimento de Carvalho e Maia para prestarem depoimento, mas isso não aconteceu. Já Raul Gandara, “uma vez que perdeu suas imunidades, será ouvido com toda a certeza”, como afirmou o delegado Miguel Zacarias.

Conforme expliquei anteriormente, não sei como essa história da venda da Praça João Gualberto terminou, mas achei interessante demais para não comentar. Quem sabe algum pesquisador decide se aprofundar nesse caso, não é mesmo? Certamente deve existir extensa documentação sobre o processo e acredito que seria uma pesquisa muito importante para se compreender o contexto social, político e econômico de Paranaguá e do Paraná na década de 60. Principalmente porque o logradouro era sem dúvida nenhuma o principal espaço público da cidade e seu envolvimento em um esquema de vendas de terras devolutas indica a existência de uma intrincada rede de corrupção, não apenas com políticos, mas também contando com a participação de indivíduos importantes na sociedade paranaense.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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