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Padrões e Desvios

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Se por um lado havia ideais de cidadão, crianças e de família bem definidos, a carga toda acabava caindo sobre as costas das mulheres, pois dentro do padrão de comportamento feminino existia a responsabilidade pela casa, pelo marido e pelos filhos. As mulheres seriam o fator essencial para o sucesso da normatização social, pois se não cumprissem seu papel e não agissem de acordo com o modelo de mulher ideal, também não haveria a família ideal e nem os filhos ideais. Por consequência, deixariam de existir os cidadãos ideais. 

Esta tentativa de normatização não era exclusiva de Paranaguá e em todo o Brasil as mulheres foram marcadas pelo projeto de padronização social e pelo papel pré-definido ditando o que elas podiam e o que não podiam fazer – como deveriam e como não deveriam se comportar: basicamente esperava-se que a mulher fosse boa filha, boa esposa, boa mãe e uma dona-de-casa dedicada. Frágeis e delicadas, não precisavam ser inteligentes, apenas educadas e dóceis. 

Precisamos sempre lembrar que este modelo não passava de uma meta a se alcançar e que existia uma distância enorme entre o ideal e a prática social, principalmente nas classes mais populares. Partindo da percepção da mídia escrita local sobre o sexo feminino, visualizamos não apenas como a idealização da mulher funcionava, mas também essa diversidade real por baixo da tentativa de padronização. Devido suas condições de vida, mesmo sem querer, os mais pobres acabavam subvertendo os padrões defendidos pelo discurso modernista burguês. Nestes extratos sociais menos favorecidos estavam as maiores desviantes do modelo de mulher correta, ou seja, aquelas mulheres que eram tudo o que uma dama não deveria ser segundo o modelo feminino defendido pelos formadores de opinião: as prostitutas. 

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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