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Várias Mulheres

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Naquele processo de transformação social no início do século XX, havia conceitos de normal e anormal: normas e regulamentos definiam especificamente os tipos de cidadãos desejados e indesejados pelas autoridades e formadores de opinião. Primeiro tentavam o convencimento, com críticas aos hábitos “incorretos” e elogios às atitudes “saudáveis” e moralmente aceitas, mas se houvesse resistência, a polícia era chamada a agir. 

Mesmo com menos citações, as mulheres não escaparam dessa repressão, pois havia diversos tipos de mulheres divergentes do ideal feminino: deveriam ser boas filhas e irmãs, ótimas esposas e excelentes mães; frágeis e delicadas, não precisavam ser inteligentes, apenas educadas e dóceis; seriam as responsáveis pela casa, pelo marido e pelos filhos; deveriam garantir o sucesso da normatização social, pois se não agissem de acordo com o modelo de mulher ideal, também não haveria família e nem filhos ideais, consequentemente, não existiriam cidadãos ideais. 

O modelo não passava de uma meta distante da realidade, principalmente nas classes menos favorecidas. Mesmo sem querer, as mais pobres subvertiam o padrão modernista burguês e as maiores divergentes eram as prostitutas. A divisão entre mulheres “corretas” e “desviantes” também podia ser observada geograficamente, com locais reservados para cada categoria. Havia duas ruas nas quais prevalecia a vida mundana: Isabel, atrás da Ferrovia, e a Pecêgo Junior, que na época tinha esse nome até a Costeira, mas fervia mesmo nas proximidades da Fonte Velha. Por outro lado, Praças e a Rua XV eram frequentadas pelas mulheres em melhores condições econômicas, principalmente as mais jovens, “cheirosas”, “elegantes” e “alegres”, que “deixavam o dia mais bonito”. Ver grupos de moças se divertindo pelas ruas ou nas praças, aparentemente não fazia parte da cultura parnanguara, mas apesar de novidade, era incentivado pela mídia. 

Texto Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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