Connect with us

Centro de Letras

Avenida Gabriel de Lara

Em março de 1914, a finalização do aterro da Praça João Gualberto aproximava-se do fim

Publicado

em

Em março de 1914, a finalização do aterro da Praça João Gualberto aproximava-se do fim. Como vimos anteriormente, demoliram a lavanderia naquele mesmo mês, resultando em protestos das lavadeiras. Segundo o jornal local, o progresso acontece assim mesmo, pois é impossível agradar a todos e algumas vezes ele bate de frente com os interesses individuais. Diferente da lavanderia, a Fonte Nova seria mantida pela prefeitura, mas mesmo assim quase acabou soterrada durante o processo, exigindo reparos para evitar sua inutilização.

Na outra extremidade do aterro, os mesmo empreiteiros abriam e nivelavam a Avenida Marques do Herval, hoje chamada de Avenida Gabriel de Lara. Sua construção começara há uma década, em 1904, quando removeram a antiguíssima Cruz do Pica-Pau de seu local de origem para prolongarem a Rua Silva Lemos (atual Hugo Simas: não trataremos disso agora, mas essa pequena rua vale uma análise mais completa, pois era um carreiro entre miseráveis casas que formavam quase um cortiço bem no centro da cidade e foi totalmente transformado durante a gestão de Caetano Munhoz da Rocha). Em junho de 1913, Alexandre Gutierrez assumiu a empreitada de prolongar a Silva Lemos e ligar a cidade ao porto. Ele usaria uma escavadeira com motor e o transporte da terra aconteceria em vagonetes, tudo para acelerar a conclusão das obras. Mesmo utilizando a tecnologia disponível na época, o serviço demorou mais de um ano.

Gutierrez e seu xará, Alexandre Grant, entregaram a Avenida Marques do Herval, “que vae daquella cidade ao Porto D. Pedro II”, em agosto de 1914. Logo em seguida, a Prefeitura providenciou a arborização. Entretanto a obra parece não ter agradado todo mundo (novamente) e algumas árvores foram arrancadas por “indivíduos malfeitores”, enfurecendo os formadores de opinião.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana