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Centro de Letras

Avenida Arthur de Abreu

No início de julho de 1922, quando a Nova Estação já funcionava, um trem não respeitou o fim da linha e bateu no muro

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No início de julho de 1922, quando a Nova Estação já funcionava, um trem não respeitou o fim da linha e bateu no muro: interessante explicar que não existia a Rua Rodrigues Alves e os trilhos – contrariando a posição do Marco Zero da Estrada de Ferro – iam até o limite do terreno, lá na Rua Faria Sobrinho, chamada de Pecêgo Junior na época. Vale a pena comentar que a cidade permanecia crescendo para aqueles lados, mas entre a linha férrea e a Costeira tudo permanecia um banhado. Para drenar o enorme pântano, a Prefeitura mandou abrir valas até o Boulevard Serzedello (Avenida José Lobo) e depois ao mar.

Em frente à estação, a situação não era tão diferente assim.  Na “Alameda Arthur de Abreu” – assim como na Rua Júlia da Costa –, o executivo municipal ainda começava a construir as galerias de esgotos, para então poder iniciar o calçamento de ambas as ruas. Duas semanas depois, os serviços pareciam adiantados e com o meio-fio devidamente instalado o jornal comemorava as melhorias urbanas: “tudo leva a crer que breve desapparecerá aquelle lamaçal que tanto enfeia a cidade”.

O jornal “O Dia” elogiou o prefeito Accioly Rodrigues da Costa, não apenas por cuidar da cidade (também reformara o cais na Rua da Praia), mas principalmente pela ordem nas finanças municipais. Apesar do belo exemplo da Prefeitura, era preciso aumentar a fiscalização sobre a população e “cuidar das nossas ruas”, quase todas transformadas em “depósitos de cascas de fructas e outros detrictos”. Nem a Rua XV escapou da sujeira. Seria por isso que Paranaguá perdeu sua posição de “sala de visitas” do estado do Paraná e virou apenas uma “copa de pensão ordinária e sem hygiene”.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana