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Psicóloga explica como lidar com a disseminação de ódio nas redes sociais

29 de agosto de 2019

“As pessoas precisam entender que as mesmas regras sociais que aprendemos para conviver em sociedade valem também para a vida on-line”, frisou a psicóloga Caroline Chiarelli Colle

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É muito comum encontrar comentários com conteúdos ofensivos e críticas destrutivas nas redes sociais, direcionados tanto a pessoas como a instituições ou organizações. Esses comentários, normalmente carregados de insultos, humilhações ou acusações, aparentemente, fazem parte de um comportamento sem justificativa. Ou seja, o espaço que deveria ser utilizado para debate de ideias e construção de pensamentos torna-se um local de disseminação de ódio gratuito, sem fundamento. Essas pessoas foram intituladas como “haters”, ou “odiadores”, na tradução literal.

QUEM SÃO ESSAS PESSOAS ATRÁS DAS TELAS?

A psicóloga Caroline Chiarelli Colle acredita que, como o nome mesmo sugere, os “haters” odeiam porque odiar é algo natural para eles. “Disseminam discurso de ódio e atacam pessoas que têm opiniões diferentes da dele. Eles não contra-argumentam o que o outro falou, eles ferem verbalmente a pessoa simplesmente por ela não pensar ou agir como eles gostariam”, avaliou Caroline.

As postagens de conteúdo ofensivo tendem a trazer sentimentos positivos para essas pessoas. “Eles se sentem melhor depois de ofender os outros, pois descarregam a sua raiva e frustrações. Isto gera uma descarga de neurotransmissores que causam a sensação de alívio da tensão e da ansiedade. Pisam no outro para se sentir melhor, sentirem que são superiores ao outro”, apontou a psicóloga.

Na frente do computador, as coisas se tornam mais imediatistas e impulsivas, de acordo com especialista (foto: EBC)

PESSOAS FRUSTRADAS E INSATISFEITAS

Segundo ela, tal comportamento esconde um perfil de pessoas frustradas, insatisfeitas com a própria vida e, por isso, elas precisam denegrir a vida do outro para se sentirem melhor. “Claro que tem muita coisa que este tipo de pessoa vivenciou para ter que chegar a este ponto, como algumas situações difíceis, porém, nada justifica ferir o outro, mesmo que virtualmente, pois muitas ofensas deixam marcas piores que as físicas”, ressaltou Caroline.

Os “haters” ainda costumam ter autoestima baixa, sentimento de inferioridade, apresentam impulsividade e dispensam o filtro das regras sociais no seu dia a dia em frente à tela. Por isso, a psicóloga acredita que é preciso aprender a viver em sociedade no mundo virtual.

“Crescemos aprendendo a conviver em sociedade, seguindo normas sociais e, por isso, quando estamos frente a frente com uma pessoa, ponderamos o que vamos falar, pensamos antes de agir. Mas quando estamos na frente do computador, as coisas se tornam mais imediatistas e impulsivas. Escrevemos o que pensamos no momento, sem filtrar as palavras e sem refletir o que as minhas palavras causariam na vida do outro. As pessoas precisam entender que as mesmas regras sociais que aprendemos para conviver em sociedade, vale também para a vida on-line”, afirmou Caroline.

“Atenção é tudo o que eles querem, portanto, o ideal é sempre ignorar”, afirmou Caroline

 

EFEITOS DA DISSEMINAÇÃO DO ÓDIO

O resultado dessa disseminação de ódio tem impacto negativo na vida de muita gente, principalmente para aquelas que trabalham com as redes sociais. Entre as possibilidades de excluir o comentário, ignorar ou responder os “haters”, a psicóloga explicou qual a melhor atitude a se tomar.

“Compreender que existem pessoas que não sabem lidar com suas próprias frustrações, dificuldades e traumas é o primeiro passo. Temos que entender que, muitas vezes, o que nos é falado é conteúdo do outro que falou, e não nosso. Que pertence, simplesmente, a ele e não a nós. Isso nos ajuda a não nos ferirmos ou acreditar em tudo o que nos é dito”, orientou Caroline.

Depois, o caminho é ignorá-los. “Vai nos fazer melhor do que confrontá-los. Dar atenção a quem não é capaz de oferecer palavras de incentivo, consolo, ânimo, não vale a pena. A atenção é tudo o que eles querem, portanto, o ideal é sempre ignorar”, completou Caroline.

A recomendação da psicóloga é configurar o nível de privacidade nas publicações de modo a permitir que apenas amigos possam visualizá-las. “Se for publicar sobre um assunto que vá causar polêmica mesmo entre seus amigos, é possível personalizá-la para que somente alguns possam interagir com ela. Agora, se a pessoa possui muitos seguidores e não pode se dar ao luxo de configurar o nível de privacidade das publicações, o ideal é apagar os comentários maldosos, identificar os perfis e bloqueá-los. Ou quando julgar muito necessário uma resposta, retruque utilizando o bom humor”, finalizou Caroline.


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