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Semeando Esperança

Edmar Peron é Bispo da Diocese de Paranaguá

Sejam santos!

02 de novembro de 2019

Ao concluir a semana e dar início a uma nova, temos a oportunidade de recordar “Todos os fiéis Defuntos” e a grande festa de “Todos os santos”.  Desse modo, ecoa aos ouvidos dos nossos corações o chamado à santidade, comum a toda pessoa: “Sejam santos como eu sou santo” (Lv 11,45). Jesus, retoma esse chamado universal e ensina que a santidade se manifesta na misericórdia: “Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso” (Lc 6,36).

O Papa Francisco escreveu uma carta sobre esse assunto, Gaudete et exsultate, ou seja, Alegrem-se e exultem porque Deus Pai “nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo para que sejamos santos e irrepreensíveis na sua presença, no amor” (Ef 1,4). Ele que nos chamou à santidade “espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa” (n. 1).

Temos uma certeza: percorremos esse caminho de santidade rodeados por uma “grande nuvem de testemunhas”, as quais nos estimulam à perseverança, deixando “de lado tudo o que nos atrapalha e pecado que se agarra em nós” e “mantendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12,1-2). Acreditamos que “entre tais testemunhas, podem estar a nossa própria mãe, uma avó ou outras pessoas próximas de nós (2Tm 1,5). A vida dessas pessoas talvez não tenha sido sempre perfeita, mas, mesmo no meio de imperfeições e quedas, continuaram a caminhar e agradaram ao Senhor”. Esses amigos de Deus nos ajudam a carregar a cruz de cada dia; eles nos protegem, amparam e guiam (Bento XVI); entregaram suas vidas, por causa de Jesus e dele deram testemunho (Ap 6,9); são uma multidão incontável, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé diante de Deus Pai e do Cordeiro, Jesus Cristo, usando vestes brancas e trazendo nas mãos a palma do martírio (Ap 7,9). Eles são nossos amigos vitoriosos: venceram a grande tribulação; “lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14).

Pensemos nos santos canonizados e também “nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia (...). Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus” (nn. 6-7).

Reconheçamos que “a santidade é o rosto mais belo da Igreja”, mas também que o “testemunho, dado por Cristo até ao derramamento do sangue, tornou-se patrimônio comum de católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes”, pois os mártires são “uma herança que fala com uma voz mais alta do que os fatores de divisão" (São João Paulo II).

Assim, ao comemorar as pessoas falecidas e todos os santos e santas de Deus, somos chamados a olhar para o céu e a não deixar nosso coração permanecer na tristeza e nem na dor da saudade, que muitas vezes experimentamos ao visitar o túmulo das pessoas que tanto amamos nesta vida.

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